Sexta-feira, 30 de Julho de 2021
Editorial

O preço da privatização da Eletrobras


eletrobras_4261F34D-5F6C-45CF-97C5-DF43A83A175B.jpg
18/06/2021 às 22:08

Há sentimento de desconfiança por parte de parcel expressiva da sociedade brasileira quanto aos bons resultados da privatização da Eletrobras. A preocupação esbarra na futura condição dos brasileiros diante do seguinte quadro: serviço essencial em um sistema privatizado e de preço elevado.

As informações dadas por parlamentares e especialistas são contraditórias e nessa direção mais promovem confusão e incerteza quanto à proteção dos direitos fundamentais dos usuários. O que está aparente é o interesse que os negócios envolvendo a venda da Eletrobras atiçam. Energia elétrica e água são produtos de elevado valor no mundo e a decisão do governo brasileiro em privatizar a empresa nacional dentro de uma realidade adversa, com falta de debate entre os setores que serão afetados por esse ato e pouca transparência gera preocupação.

No Congresso Nacional, onde a proposta acaba de ser aprovada (na quinta-feira, no Senado), o nome dado a ela é de “jabuti”, numa alusão dos arranjos embutidos na formulação submetida à votação. Quais “jabutis” passaram a fazer parte da proposta e por que? Que efeito terão na vida cotidiana dos brasileiros?

Muitos parlamentares mais preocupados em defender interesses particulares em véspera de ano eleitoral deixaram de honrar seus mandatos para honrar outros acordos que se distanciam e muito da precária realidade do sistema nacional de geração e distribuição de energia elétrica. O perfil segue repetindo a performance da privatização, quem tiver condições de pagar pelo serviço irá dispor de energia elétrica com algum nível de segurança, e aqueles que não tiverem recursos financeiros no orçamento familiar terão dois caminhos viver sob a precariedade do serviço ou será impedido de acessá-lo.

Na Amazônia, o acesso à luz elétrica ainda tem a marca da negação. O quadro do déficit de brasileiros sem luz passou por alteração positiva com a adoção do programa “Luz para Todos”, mas este não se completou dentro do que objetivava a ação. Milhares de famílias permanecem recorrendo ao querosene ou à vela para iluminar seus domicílios. Como os governos nas instâncias federal, estadual e municipal estão atuando no sentido de garantir a observância do direito de usufruto da energia elétrica a milhares de famílias brasileiras que estão fora da conta de lucro dos futuros donos da Eletrobras?


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.