Publicidade
Editorial

O preço de Michel Temer

02/08/2017 às 23:31
Show temer 123

Dono do mais baixo índice de credibilidade perante os brasileiros, o presidente Michel Temer decidiu escancaradamente pagar o preço para se manter no posto até as eleições do próximo ano. Dispõe de um Congresso Nacional faminto por dinheiro e cargos nas organizações públicas federais que da mesma forma não esconde a avidez pelas benesses. Esta é uma expressão da política nacional.

A partir dela são acionados os mecanismos que irão produzir impactos em nível municipal e estadual compondo os elos do grande pacto. Não um acordo em favor do Brasil, embora seja recorrente a fala presidencial e de líderes políticos da base de apoio que tudo está sendo feito em nome da governabilidade e da superação dos problemas nacionais. Como é que negócios dessa natureza que arrastam para o esgoto a probidade de servidores públicos de alta patente podem ser fechados em nome do País? Trata-se de uma agenda de negócios privados entre grupos que utilizam os bens públicos como se deles fossem para atender interesses particulares e garantir apoio parlamentar ao Executivo.

Os brasileiros assistem, leem, ouvem sobre as negociações feitas, os jantares e almoços de combinação das atitudes que congressistas devem ter na Câmara dos Deputados e no Senado no trato das questões envolvendo Michel Temer. É um pacto vergonhoso e que ultrapassa o limite da aceitação. Ao mesmo tempo, as costuras vão sendo feitas e distanciam a possibilidade de os brasileiros poderem ter dispor de uma reforma política profunda e efetiva. Ou seja, a opção primeira sob garantida de parlamentares, é manter como ora se encontra, alterando pequenos traços que em nada influenciarão.

A população demonstra insatisfação e repúdio a essas condutas e, ainda assim, a maioria dos congressistas ignora esse sentimento para respaldar o que deveria ser severamente combatido. O vale tudo revela-se portador de longos braços e seus realizadores apostam na falta de  memória popular  para continuar no mesmo modelo.

É no nível de entendimento e do limite de aceitação dessas condutas por parte da sociedade brasileira que residem as possibilidades de realizar mudanças. As manobras até agora realizadas conseguiram manter o estado saqueador da riqueza pública e oferecer condutas nada republicanas por parte de agentes públicos.