Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
Editorial

O preço do avanço da soja na Amazônia


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23/09/2021 às 06:38

A Amazônia, tratada como obstáculo para determinados projetos de desenvolvimento, permanece na pauta dos líderes mundiais com lupa ampliada. Não na direção de defesa efetiva do ecossistema e sim em meio a uma teia de interesses que ora somam com os interesses de grupos internos que vêm à região como espaço para explorar recursos de variados e sem a devida precaução.

Mesmo com as campanhas nacionais e internacionais em defesa da vida amazônica e do respeito às culturas que nela existem, é a destruição que avança e alcança índices cada vez mais elevados como no caso dos estados do Acre e do Amazonas. A frente expansionista da soja segue em ritmo acelerado e atinge ultrapassa limites a partir do Sul do Amazonas.

Se de um lado, o discurso em defesa da expansão dos campos de soja tenta associar vantagens nesse tipo de negócio, de outro, é cada vez mais visível que o modelo de cultura desse grão não representa melhoria de vida para as pessoas dos lugares onde estão os campos. Ao contrário, são inúmeras as comunidades que sofrem as consequências da monocultura e dos arranjos em torno dela construídos. Não amplia a oferta de postos de trabalho, não agrega moradores e fomenta uma série de adoecimentos das pessoas que residem próximo às áreas de plantio muito em decorrência dos agrotóxicos e fertilizantes utilizados nesses espaços.

A combinação desse cultivo gera bons lucros a grupos pequenos de empresários e deixa um rastro de destruição que atinge milhares de pessoas em todo o Brasil. Não há, a priori, uma posição contrária à cultura da soja na Amazônia, o que deveria ser levado em conta – e não é – são os efeitos desse cultivo, o preço e que tipo de benefício a região teria. Até agora nenhum. Os prejuízos são maiores e estão sendo acumulados: famílias expulsas de suas terras, derrubada da floresta, ataques à fauna e à flora, expansão da pobreza e mais violência.

Os lucros da cadeia da soja estão destinados a multinacionais, em sua maioria, e uma parte aos grupos internos restritos. Avançar com a plantação da soja na Amazônia é um erro de planejamento que distancia a modalidade ecossustentável e implicará em desequilíbrio na região que saqueada será destinada a outros fins enquanto os cultivadores da soja se mudaram para outros campos em outros lugares.


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