Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
Editorial

O preço do gás asfixia famílias


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06/01/2020 às 07:31

Os outros sinais deste início de 2020 começam a ser apresentados em carga pesada que confronta com os primeiros resultados positivos da engrenagem econômica. Para a maioria das famílias brasileiras, a série de reajustes no preço do gás, o novo valor da passagem de transporte público e, somado a esses, o da água produzem um quadro de manutenção de apertos e de impossibilidade até mesmo do uso do gás de cozinha ou de racionamento desse uso.

Há uma sequência de aumento no preço de serviços básicos em andamento. Com um dado que a agrava: o cenário internacional diante do novo confronto entre os Estados Unidos, o Irã e o Iraque que irão se refletir em ondas de profunda instabilidade econômica e social. Todos os países, na condição de aliados de uns ou dos EUA, passam a integrar o corpo desse confronto e sofrerão os efeitos das medidas já tomadas e daquelas que serão postas em prática nos próximos dias.

O preço alto da botija de gás que é um problema sério para uma fatia expressiva dos brasileiros torna-se uma das indicações de como a economia globalizada afeta a vida das sociedades estejam elas no epicentro dos conflitos ou muito distantes deles. Nessa relação também estão os preços dos combustíveis e de vários alimentos que, no caso brasileiro, são exportados enquanto no âmbito interno os consumidores pagam mais alto. Há dois meses, essa situação ocorreu com a carne bovina.

Para famílias do Amazonas, onde a botija de gás chegar com o preço duplicado, o uso desse serviço vem se constituindo em direito de poucos por falta de poder de compra. O tamanho da repercussão desses atos na vida das famílias mais pobres não é apresentado nas análises econômicas e do desempenho econômico-social do País. São ignorados em nome da macroeconomia mais comprometida com os grandes projetos, o que é um complicador sério, pois, nesse tipo de avaliação e de apresentação de resultados uma multidão é colocada fora dos números e se reforça a sensação de bem-estar enquanto esses milhares enfrentam necessidades cruciais todos os dias para garantir o pagamento do preço da passagem de ônibus, do barco, do gás de cozinha, da conta de luz e de água, e dos alimentos numa versão entre pobreza e miséria.


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