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Editorial

O preço do transporte

23/06/2016 às 15:26
Show onibus

O impasse sobre o reajuste da passagem de ônibus afeta duramente a população usuária. Relatos de passageiros ao A Crítica demonstram o quanto a situação é complicada. É claro que a maioria deseja manter o valor atual da passagem e tem vários motivos para se posicionar contra o aumento: serviço precário resume a motivação. Após tantos anos em que a discussão sobre o reajuste da tarifa utiliza os passageiros como marionetes de pactos político-eleitoral, esses passageiros demonstram impaciência e receio com posicionamentos como o que ora ocorre.

A Justiça autorizou o sindicato das empresas de transporte coletivo reajustar em 12,37% o valor da tarifa. O prefeito Artur Virgílio (PSDB) afirma que não irá conceder o aumento e recorrerá da decisão do TJ-AM. Os passageiros, todos os dias, procuram informações que permitam saber o quanto pagarão pela passagem a fim de não serem constrangidos ou surpreendidos com um novo valor.

A Justiça Estadual e o Governo Municipal precisam, para além da decisão a vigorar, garantir tempo aos passageiros. Se a decisão de reajuste prevalecer que seja determinada a data a partir da qual o valor reajustado será cobrado; se não que sejam igualmente informados. Nas duas situações há necessidade de cumprir com o dever de ampla e transparente informação.

O item transporte coletivo é um dos que tem peso no orçamento familiar. A garantia do dinheiro para bancar os custos de usar o ônibus é uma das preocupações das famílias que fazem malabarismo para conseguir o dinheiro e/ou o crédito na carteirinha durante 30 dias. Qualquer reajuste atinge esse planejamento e obriga a tomada de novos posicionamentos para assegurar o ir e vir de trabalhadores e estudantes de forma mais direta embora também afete os demais em seus compromissos e direitos. É essa feição que deve ser considerada no cabo de guerra em torno do aumento da tarifa.

O que produz mais desgaste é o sentimento experimentado por uma ampla maioria dos passageiros de pagar um preço de peso por um serviço que está longe de ser eficiente. Por isso, os informes periódicos dos empresários de que querem o reajuste para melhorar a qualidade do transporte público já não repercutem. Não há credibilidade e sim cansaço por parte dos passageiros com esse tipo de jogo. O outro aspecto é a utilização político-eleitoral de um tema tão delicado a milhares de pessoas.