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Editorial

O que fica pós-Olimpíadas?

22/08/2016 às 06:41
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O Brasil pós-Olimpíadas começa hoje. Os acertos da experiência em sediar um evento de tamanha proporção não podem ser encolhidos e perder para os erros. E é a vontade política em fazer que poderá ampliar os efeitos catalizadores dos jogos para  confirmar o legado e distribuí-lo efetivamente.

Em outros países sedes de mega eventos, a experiência posterior acumula prejuízos e críticas. Ambos se bem olhados pelos gestores brasileiros serviram de lições e de indicações de caminhos a não serem percorridos. A destinação dos espaços é um desses desafios. Países que têm necessidades semelhantes as do Brasil precisam estrategicamente destinar bem a infraestrutura e o clima positivo que os eventos, como as Olimpíadas, proporcionam. 

As medidas referentes as formas de uso dos espaços têm que ser pensadas desde o primeiro rascunho das obras e acompanhar o primeiro tijolo colocado. Não há tempo a perder quando se trata de fazer do legado de uma Olimpíada um legado real e efetivo. Do ponto de vista do discurso algumas mudanças significativas serão realizadas, com unidades dos jogos transformadas em espaços de escola e de ambientes de convivência. Que elas sejam concretizadas; outras ocorreram simultaneamente com o evento, como ocorre no Rio de Janeiro com o setor de transporte público.

Vencido o período das Olimpíadas, a sociedade brasileira espera que os investimentos feitos para receber tantas modalidades de jogos, milhares de atletas, turistas, analistas, empresários, voluntários sejam traduzidos em outros benefícios. É possível a partir de agora fazer funcionar melhor o atendimento médico, os espaços culturais, a segurança pública, a educação. Há uma subjetividade altamente positiva a ser explorada, ou não, como constituinte de matéria valiosa para assegurar maior envolvimento social e atenção mais qualificada dos serviços essenciais oferecidos à população.

Tanto a estrutura pronta quanto a atmosfera favorável podem ser desperdiçadas, caso prevaleça a política miúda no trato de questões sérias. O fato de esse ser um ano eleitoral coloca dois aspectos em evidência: as eleições como um dos espaços apropriados de mudar pelo exercício democrático do voto; a utilização apressada, indevida e, por vezes, ilegal dessas condições em projetos particulares e restritos. O Brasil venceu, em 2009, uma disputa gigante para sediar as Olimpíadas. Passou no teste. Logo iniciarão outras disputas, as das paraolimpíadas e aquelas do dia seguinte dos grandes jogos, proporcionar mais inclusão e infraestrutura de qualidade. Um gol a ser feito.