Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019
Editorial

O que resta à ZFM?


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23/09/2019 às 07:53

A manchete da primeira página de A CRÍTICA, edição de domingo, e a matéria ampliada no Tema do Dia, p. A3, demonstram o tamanho da instabilidade colocada pelo Governo Federal ao modelo Zona Franca de Manaus. Não mais se trata de um mero discurso oposicionista ou da falta de compreensão do conjunto das organizações empresariais e de trabalhadores do Amazonas, como são recorrentemente tachados posicionamentos nessa direção. São líderes empresarias, com postura liberal, estudiosos, economistas, administradores e cientistas sociais que apontam 2020 como um ano de mais dificuldades e incertezas para o Polo Industrial de Manaus (PIM) e à sociedade amazonense dependente da funcionalidade dessa agência de desenvolvimento.

O que está até agora proposto pela política governamental brasileira já reúne elementos pesados para encolher ainda mais o desempenho do PIM e quando colocados nesse mesmo quadro os indicadores internacionais da economia mundial o cenário torna-se ainda mais crítico. As estimativas feitas na Europa e na América do Norte são de “pé no freio” da economia mundial motivada pela crise no setor de petróleo, e esta gerada por confrontos de potências governamentais que disputam o controle da produção e distribuição do petróleo no mundo. 

Os efeitos dessas disputas têm gerado conflitos longos, êxodo, fome e mortes. Todos os dias, a mídia relato o drama de milhares de pessoas atingidas por esse embate; na economia, a repercussão do aumento de preço no barril de petróleo é imediata e de longo alcance, redireciona recursos que estavam destinados para uma área, asfixia países dependentes e amplia o número de retirantes expulsos de seus países e rejeitados nos países nos quais procuram abrigo e vida mais digna.

A aposta na fragilidade do modelo ZFM, como faz o ministro da Economia, Paulo Guedes, ameaça a manutenção de 80 mil postos formais de trabalho na cidade e, com eles, outros milhares que atuam em função da existência e ocupação dessas vagas. Os parlamentares do Amazonas no Congresso Nacional, a maioria com postura aliada ao governo federal, é mais uma vez convocada a agir estrategicamente e fazer os compromissos assumidos por esses mandatos. Da mesma forma o governador do Amazonas, junto com o empresariado e as representações de trabalhadores, montar uma frente de ação para impedir que a ZFM seja em curto prazo desmantelada.


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