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Editorial

O recado e a urgência de ouvir

29/08/2017 às 22:05
Show amazonino 3333

Há algum tempo o eleitorado brasileiro está enviando mensagens, emitindo sinais, posicionando-se para além do voto neste ou naquele candidato. Mesmo com todo o esforço de determinadas instituições e de movimentos em defesa do voto como instrumento livre e democrático de escolha, a crise da representação político-partidária atinge duramente o mecanismo voto e o eleitor. O resultado da eleição no Amazonas é um exemplo. Mais de um milhão de eleitores decidiram pelo nulo, branco oua  abstenção no segundo turno da eleição suplementar para o Governo do Estado, realizado no domingo.

É um posicionamento forte que deve ser encarado com seriedade pelos que constituem os poderes instituídos, Legislativo, Executivo e Judiciário. A legitimidade de quem se elege em um cenário como esse está fragilizada. E não se trata de um caso isolado ou somente desta eleição. O eleitor, diante da descrença com os candidatos e os eleitos, está buscando outro caminho dentro do jogo democrático.

Infelizmente, os resultados eleitorais não serviram até agora para que dirigentes partidários e membros de partidos, parlamentares, governadores e prefeitos adotem outra posição e patrocinem mudanças reais que possam formar alianças menos nocivas com a sociedade. Ao contrário, o que se assiste todos os dias são decisões que desrespeitam os cidadãos e ignoram a realidade brasileira. Um acinte.

Os parlamentares que entre os poderes são a parcela mais cobrada embora ainda longe do nível de cobrança e controle social sobre eles poderão nas eleições do próximo ano ser derrotados por um movimento combinado do eleitorado nacional. Mas, o executivo e o judiciário estão distantes demais desse controle, em especial o judiciário que se coloca acima dos poderes e vem sendo mantido em espaço mais fechado, como se não tivesse que prestar contas à sociedade. A combinação da crise de representatividade nesses três poderes produz um quadro crítico que contamina e adoece a população brasileira em larga escala.

No caso do Governo do Amazonas, espera-se que o governador eleitoleia com atenção o cenário eleitoral e procure fazer um governo de dialogo, de reconciliação sem ignorar as diferenças, mas obedecendo a uma linha central de ação que tenha nas necessidades da população a principal referência. Que aproxime e promova nestes 15 meses setores estratégicos ora sob inércia e restabeleça o ânimo entre os amazonenses.