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Editorial

O risco de conceder anistia àqueles que fizeram caixa 2 em campanha

23/11/2016 às 22:10 - Atualizado em 23/11/2016 às 22:10
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A Câmara Federal voltou a flertar com a impopularidade nesta quadra em que analisa, numa comissão especial, o projeto oriundo do Ministério Público Federal que estabelece dez medidas supostamente para combater a corrupção.

Há dias o relator da matéria, deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM/RS), vem sendo pressionado por seus pares para incluir no texto final dele uma espécie de anistia para aqueles que financiaram suas campanhas com recursos oriundos de caixa 2, o que evidentemente entra em conflito com o espírito da legislação proposta por procuradores da Lava Jato, que fazem de tudo para criminalizar o caixa 2 e assim pegar os que nessa prática embasaram suas carreiras na política.

Lorenzoni vinha resistindo a essa inclusão, dizia que tinha apoio de colegas e que não forneceria um relatório que entraria em conflito com a opinião pública, que subscreveu o projeto do MPF com mais de 2 milhões de assinaturas numa das maiores petições já coletadas no País. Para se ter uma ideia, o projeto da Ficha Limpa, que deu origem à lei com o mesmo nome, chegou ao Congresso Nacional com pouco mais de 1 milhão de assinaturas.

E não é incorreto afirmar que foram essas assinaturas, representantes da vontade popular, que enfiaram o projeto na ordem do dia e o transformaram em lei. Lorenzoni contava com essa sensibilidade dos atuais legisladores para manter o texto íntegro, mas ontem à noite acabou sendo passado para trás por uma articulação feita em almoço com o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), que indicou a opção por uma emenda que vai anistia toda e qualquer prática de caixa 2 eleitoral a partir da entrada em vigor da lei das dez medidas.

O incrível de tudo isso é que a quase totalidade dos partidos apoiaram a inclusão da anistia menos o Partido dos Trabalhadores, que sofre inúmeros processos por conta desse crime no âmbito da operação Lava Jato, e os chamados partidos da esquerda, como o PSOL.

Se aprovada, a anistia praticamente estanca a sangria prevista pelo senador Romero Jucá (PMDB/RR), que poderá ser deflagrada pela Lava Jato com a delação premiada dos executivos da Odebrecht.