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Editorial

O ritmo da política

03/06/2017 às 17:46
Show confresso

A primeira semana de junho começa com enormes interrogações sobre o dia seguinte do País. A crise ético-políticas e revela muito maior e mais larga que as medidas até então colocadas. E vale pensar que a dimensão dela nos Estados e nos municípios ainda não foi tornada pública na maioria dessas unidades, o que permite para um grande número de políticos se apresentarem como se nada tivessem com o que está acontecendo ou considerem que a população local é incapaz de ligar um ponto ao outro, avaliar as condutas de parlamentares e tomar decisões.

A grande esteira por onde passeia a corrupção tem nos Estados e Municípios o terreno apropriado para ser aberta e é importante que essa esteira seja conhecida, que suas conexões mais locais sejam reveladas. A quantidade de dinheiro desviado, as festas, presentes e outros privilégios que um grupo desfrutou e desfruta ganha nas cidades a versão concreta dos atos corruptos que alimentam padrões sofisticados de vida de uns poucos enquanto a maioria da população amarga os efeitos de sistemas ineficientes dos serviços públicos e, pior, experimentando um sentimento de incapacidade para vencer.

Enquanto isso a política continua no mesmo ritmo. Os pré-candidatos se lançam muito tempo antes das eleições, reforçam eventos para ganharem visibilidade e fazem discursos condenando o que muitos deles praticam como se normal fosse, a corrupção. É esse um dado que precisa ser cada vez mais entendido pela população porque enquanto as regras que protegem e garante a corruptos e corruptores permanecerem atuando com outros nomes. Até agora nenhuma mudança mais substancial foi feita para alterar o sistema político-eleitoral e os arranjos aprovados no Congresso Nacional são mais na direção de autoproteção.

Desenraizar a corrupção da vida brasileira é trabalho de longa duração, sem trégua e sem jeitinhos. Pede a necessidade de investir todos os dias na formação crítica dos brasileiros desde a primeira idade e na revitalização das instituições profundamente contaminadas. O que ora acontece é um passo importante, o começo, mas pode ser espantado pelos ventos dos acordos que irão punir uns poucos e deixar intocável a raiz de tudo. Então, em seguida, os que estão há muitas décadas usufruindo da corrupção na vida pública e na particular com seus feudos. Que a primeira semana de junho ofereça boas respostas aos brasileiros no embate ora organizado.