Publicidade
Editorial

O samba fez seu alerta

27/02/2017 às 20:25 - Atualizado em 27/02/2017 às 20:26
Show alertaa

O Carnaval das escolas de samba de Manaus encerrou, ontem, consagrando a bicampeã Reino Unido da Liberdade, que trouxe para a passarela do samba manauense um enredo que destaca uma palavra que está na ordem do dia em campos que vão muito além das folias de Momo: Sustentabilidade!

E nunca o País precisou tanto rever seus processos e costumes com vistas a garantir uma sociedade sustentável, a começar pela política.

 Depois do trauma de passarmos pelo segundo impeachment de um presidente em menos de trinta anos de democracia, a política brasileira precisa adquirir sustentabilidade ética para voltar a ser respeitada pela população e assim garantir o regime democrático. Sem política não há democracia, mas para termos democracia plena é preciso ter políticos com as características de homens públicos comprometidos com a ‘res publicans’ e isso está em falta na atual quadra nacional.

Também precisamos, enquanto Nação, adquirir sustentabilidade emocional para lidar com os diferentes, com os que pensam exatamente o posto do que nós pensamos. O diferente não é nosso inimigo e ele também quer o melhor para o Brasil. Infelizmente essa concepção está em baixa e há uma danosa polarização em curso gerando ódios recíprocos. Não custa lembrar, por oportuno, que  e já é sabido e notório, pelos exemplos históricos, que uma Nação, uma civilização que assim se pretenda, não é construída  com ódios, mas sim convergências de princípios.

Também carecemos na atual quadra de nossa história de uma boa dose de sustentabilidade econômica de maneira que possamos fugir dos efeitos catastróficos da crise econômica mundial, engendrada lá fora, mas com elementos locais igualmente danosos.

E não adianta pensar apenas nas reformas que estão em discussão no Congresso, posto que elas não colocam o País no rumo; No máximo aliviam os caixas dos governos e das empresas. O Brasil, neste sentido, precisa de um Norte, um projeto estratégico que dispense o entulho do atraso de nossas legislações e costumes.

Por fim, não custa lembrar também que precisamos, como também nos alertou outra escola de samba, a carioca Imperatriz Leopoldinense, de uma nova relação sustentável com os povos da floresta e a natureza que sempre nos foi pródiga.