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Editorial

O TCE e a tarifa de ônibus

02/02/2017 às 21:28
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O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas é o mais novo ator social que busca entender a planilha de custos que supostamente autoriza e justifica o aumento na tarifa do transporte coletivo de Manaus.

Pelo nome e pela aparência a planilha é um documento técnico que usa da matemática pura e simples para recomendar ao prefeito de plantão qual o porcentual justo para ser aplicado a tarifa paga pelos usuários do sistema.

Ledo e Ivo engano como diria o cronista carioca pois essa planilha tem um histórico de listar mumunhas e magias que só os iniciados nos rituais celtas da velha religião praticada em Stonehenge são capazes de entender ou explicar de maneira racional. Não foram poucos os que  empreenderam essa missão a qual se junta agora os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado por determinação da conselheira  Yara Lins. Ela, ontem,  negou provimento a um pedido do Ministério Público de Contas para barrar o reajuste que elevou a tarifa para R$ 3,30 - R$ 3,54 na realidade -, mas exigiu do poder concedente do sistema de transportes, a Prefeitura de Manaus, explicações precisas sobre como se fez essa planilha.

Como se disse, não foram poucos os que tentaram entender os cálculos  feitos pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Amazonas (Sinetram) com base em dados apresentados pelo próprio sindicato. Ou seja,os números todos são produzidos pelos maiores interessados nos reajustes, numa inversão completa de valores. A Câmara Municipal de Manaus por diversas vezes contratou auditorias e consultores para explicar o inexplicável dos números apresentados pelo Sinetram. A imprensa amazonense já fez e aconteceu na vã tentativa de verificar a autenticidade dos números incluídos nas planilhas. A sociedade civil organizada também meteu a colher nessa cumbuca, que no último capítulo contou com a presença do Judiciário.

Desde a organização do sistema, ainda nos anos 80, o reajuste da tarifa de ônibus só não foi autorizado por meio das tais planilhas nos ultimos dois anos da administração do prefeito Serafim Corrêa, quando um cálculo que levava em conta inflação e preço do diesel foi introduzido para dirimir as dúvidas sobre os dados que o Sinetram apresenta como sendo tradutores da realidade do sistema. Por pouco tempo funcionou.