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Editorial

O trânsito como guerra diária

14/08/2017 às 22:48
Show tr nsito manaus

É importante que estudiosos do trânsito urbano participem cada vez mais do cotidiano das cidades. Em Manaus, ampliar debates e reflexões a respeito desse tema é uma das alternativas de enfrentamento a um dos graves problemas da cidade. Caótico, o trânsito foi transformado em instrumento de guerra civil e desafia qualquer procedimento lógico, legal e justo que busque reduzir o clima de violência no qual está inserido.

Todos,  independente da idade, da condição econômica, de ter ou não o seu próprio meio de transporte, seja motorista ou pedestre, são partícipes da guerra. Bens públicos, como calçadas, meios fios, jardinagens, placas de orientação, são diariamente destruídos pelos embates e “atalhos” feitos no trânsito. O número de vítimas é contado normalmente em dois aspectos, os dos sequelados e dos que vão a óbito. Há uma parcela de vítimas desse quadro caótico que passa despercebida das estatísticas ao mesmo tempo em que somará com outros segmentos em crises de várias ordens, pânico, transtorno mental, medo, provocados pelo desordenamento do trânsito.

Matéria de A CRÍTICA publicada na edição de Cidades, de ontem, traz na linguagem fotográfica aspectos da guerra travada em Manaus. E devolve em perguntas – o que fazer diante desse quadro?- a possibilidade de intensificar a presença do tema na mídia, envolver mais profundamente os especialistas em Trânsito nas discussões e questionar o efeito do tipo de política governamental desenvolvida para esse setor. A cidade pode ter um trânsito mais humanizado, o que dependerá diretamente do perfil de política a ser realizada, dos acordos costurados em torno dela, e do incentivo à população para que participe da tomada de decisão para o trânsito. Até agora prevaleceu a criação, alucinada, de espaços para veículos em vários níveis enquanto o transporte público é sucateado e o pedestre desconsiderado.

A utilização em massa de carros e motocicletas une o apelo industrial ao desejo individual de ter o próprio meio de locomoção enquanto os que dependem do transporte público amargam fracassos nessa área sendo submetidos a dificuldades diárias. A cidade não dispõe de ruas suficientes para a quantidade de veículos em operação (a frota é de 810 mil, dados do Detran-AM); o estresse e a pressa atuam como combinações à explosão das mais absurdas atitudes onde a regra é: cada um faz a sua lei.