Publicidade
Editorial

O turismo de selva não precisa morrer

04/02/2017 às 19:26
Show ariau valendo055

Fundado em 1985, o Ariaú Amazon Towers foi, por mais de três décadas, símbolo de sucesso no turismo de selva, uma amostra de quanto o Amazonas poderia crescer com essa modalidade em que a floresta, os animais e as pessoas da Amazônia são as atrações. Visitantes vinham de todo o mundo em busca de uma experiência verdadeiramente amazônica. Em seus melhores momentos, o Ariaú chegou a abrigar mais de 800 hóspedes de uma vez. Eles faziam questão de visitar as comunidades próximas para conhecer o modo de vida do verdadeiro caboclo. O impacto na vida dos moradores de comunidades ribeirinhas era enorme e positiva, garantindo qualidade de vida pela valorização de próprio modo de viver das pessoas.

Talvez o grande legado do Ariaú seja demonstrar que um empreendimento ecológico, que emprega o caboclo amazônico como ele é, e voltado para o turista estrangeiro de grande poder aquisitivo pode dar certo. O Ariaú - hoje reduzido praticamente a ruínas - não pode ser lembrado como uma anomalia. É um exemplo, um caso a ser estudado, aprimorado, com identificação das falhas. Não se pode, ainda, apontar com precisão   os fatores que levaram o hotel à decadência. Economistas apontariam a escala. Com capacidade para atender quase mil hóspedes de uma vez, os custos operacionais eram enormes e o tornavam sensíveis a oscilações na ocupação. O foco excessivo no público norte-americano é outro fator a ser considerado. Vale lembrar que os problemas começaram com o ataque terrorista às torres gêmeas de Nova York. Um dos efeitos imediatos foi a redução no número de turistas norte-americanos, que passaram a evitar voos em meio ao medo que tomou conta do mundo após os ataques.

O fato é que se chegou a algumas constatações importantes: existe enorme demanda para o turismo de selva, e já se conhece um modelo de serviço que o turista aprecia. O Ariaú pode ter chegado ao capítulo final de sua história, mas o turismo de selva do Amazonas não precisa morrer. Mas além da ousadia dos empreendedores, é preciso haver apoio governamental. É preciso que o turismo de selva esteja inserido em um plano integrado de desenvolvimento, com participação de prefeituras, do Estado e do governo federal. 

Um empreendimento como o Ariaú, que fazia tanto pela divulgação do Amazonas recebia que tipo de incentivo oficial? Esse é um erro que precisa ser corrigido para que o turismo de selva tenha mais chance de realizar todo seu potencial.