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Editorial

O voto nulo e suas implicações

14/10/2016 às 20:38
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O voto nulo é uma das expressões mais utilizadas no pós-primeiro turno das eleições e nas cidades onde haverá a segunda rodada de eleições no dia 30. Manaus é uma das 55 cidades que ainda aguarda conhecer quem irá administrar a cidade até 2020 e onde a anulação do voto virou mote de campanha.

Não isolada das demais cidades brasileiras a manifestação pelo voto nulo causa apreensões aos dois candidatos e exprime situação delicada da política, dos políticos, dos partidos políticos e da campanha eleitoral. O que fazer? Até que ponto os políticos se importam com esse desencantamento avassalador do eleitorado e da sociedade. É um momento difícil e preocupante porque até agora não se percebe nenhuma atitude para mudar esse quadro, ao contrário  há reforço de tais práticas e cinismo exacerbado.

Pensar sobre o voto nulo é pensar sobre os rumos da política e questionar o silêncio dos principais atores dessa atividade, os políticos. A demonstração de insatisfação e de descrença por parte dos eleitores alcança índice elevado e  já é, em número, maior que  os votos efetivados. Os candidatos que estão em disputa irão enfrentar uma situação  dura porque serão os primeiros a experimentar em alto grau o efeito da perda da credibilidade e do efeito desse movimento.

Está passando da hora de fazer a reforma política real e nela retirar a obrigatoriedade do voto. O País reclama superar essa etapa e assegurar o direito de os eleitores decidirem o mais livre que puderem o destino dos seus votos. Passa por essa tomada de decisão a disposição de mudar a política e de colocá-la a favor da maioria das pessoas e do lugar onde elas vivem. Significa superar a  política miúda, feito entre uns poucos e negociada por esses poucos que a tornaram mercantilizada.

Se o que ora está sendo exposto não ter força para provocar mudanças, a calamidade será o caminho dos que fazem política e todos - os políticos honestos e os desonestos - lidarão com a sensação de que podem ser despedidos, pois não fazem falta à sociedade. É preciso lembrar que o sentimento de perda de referência alimenta um outro, o de pregação aberta contra a existência do Congresso Nacional e de seus correspondentes no Estado e nos municípios, espaços que custam preço alto e são vistos como desnecessários. Que a presença dos eleitos por voto direto e do Legislativo se faça por outra  perspectiva de valor.