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Editorial

Obstáculos à acessibilidade

28/01/2018 às 20:52 - Atualizado em 28/01/2018 às 20:58
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A falta de espaços dignos para o exercício do direito de ir e vir das pessoas com mobilidade reduzida é um dos mais antigos e graves problemas na cidade de Manaus, pior ainda nos demais municípios do Amazonas. Há resistência prolongada dos gestores públicos em desenvolver um tipo de planejamento capaz de ir além dos períodos administrativos para se completar como parte da infraestrutura do espaço público.

A matéria de capa do caderno de Cidades de A CRÍTICA, edição de domingo, de autoria da jornalista Kelly Melo, expõe os obstáculos que as pessoas com mobilidade reduzida são obrigadas a enfrentar para ir e vir nas ruas da cidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimam em 24% a parcela da população brasileira que possui algum nível de dificuldade para se locomover. Traduzindo em outro número são 45 milhões de indivíduos que estão, na maioria das cidades, impedidos de circular porque as formas de acesso existentes os impedem.

Pensar e agir no ambiente de acessibilidade é dever dos gestores públicos e tornar esse direito garantido tem que ser luta diária dos amplos setores da sociedade, o que envolve as instituições de ensino e pesquisa, o Ministério Público, os legisladores e os coletivos de luta pelos direitos sociais. A falta de acesso tende a se agravar, atingindo número muito mais alto, se não forem consideradas, por região, as taxas de envelhecimento das pessoas no Brasil. O País terá um número em pouco tempo mais de 60 milhões de pessoas idosas e não se prepara para oferecer condições de vida digna a elas.

Na cidade de Manaus, os empreendimentos, por falta de fiscalização adequada, ignoram a maioria das regras e quando as inclui é pela metade; nas ruas, a inexistência de calçadas prolongadas e em mesmo nível, a ocupação dessas calçadas para outros fins, a colocação de postes, de barreiras criam um amplo sistema de impedimento para aquelas pessoas que precisam se movimentar com a ajuda de muletas, cadeiras de roda ou andam mais lentamente e não conseguem subir nas elevações. Os obstáculos se multiplicam em alta velocidade e as ações para impedi-los estão se arrastando, aumentando uma das feições da violência urb