Quarta-feira, 01 de Abril de 2020
Editorial

Obstáculos para o polo digital


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28/01/2020 às 08:29

Novamente volta ao debate e implantação do Polo digital de Manaus, uma iniciativa com potencial de gerar 400 mil empregos em todo o País. Seria uma forma de diversificar a indústria local, em um cenário onde subsídios, isenções e renúncias fiscais não fazem parte do vocabulário do atual governo. O próprio presidente já deixou claro que é preciso encontrar formas de tornar “amena” a desativação do modelo baseado em incentivos.

O projeto, porém, esbarra na carência de mão de obra qualificada no Amazonas. Pela natureza do produto em questão, há ainda a possibilidade de que empresas façam apenas o registro formal no Amazonas para obter o incentivo fiscal, gerando empregos em outros Estados, numa nova versão do famoso caso do “crime do colarinho verde”.

A intenção é antiga, o projeto é bastante óbvio - usar incentivos fiscais para fomentar o desenvolvimento de um polo digital. O problema é que a prática é um pouco mais complexa do que o discurso, envolve a criação, em Manaus, de uma “cultura” digital, com universidades e centros de formação superior atuando de forma integrada com a iniciativa privada, transformando o Amazonas no “Vale do Silício” brasileiro.

Parece uma utopia, mas é possível. É verdade que já foi tentado antes... e fracassou por diversos motivos, mas o principal foi a ausência de uma abordagem sistêmica no projeto. As grades curriculares do ensino médio e até do fundamental teriam que ser revistas, novos cursos técnicos na área de softwares teriam que ser criados e os cursos superiores teriam que ajustar suas grades para o mercado. Algo assim não se faz em “alguns” anos. Trata-se de algo que só pode ser trabalhado em longo prazo, com um planejamento muito bem elaborado e com adoção de ferramentas que deixem a iniciativa blindada contra os humores governamentais.

O desenvolvimento do Polo Digital no Amazonas só será uma realidade se for tratado como um projeto de Estado, e não de governo. Outro problema é a insistência muito presente no atual governo federal em apagar toda e qualquer marca de um suposto socialismo que só existe na cabeça dos mais desprovidos de raciocínio. Enquanto essa mentalidade atrasada e inaceitável prevalecer, o polo digital continuará sendo apenas um dos tantos outros projetos para diversificação da Zona Franca de Manaus que ficaram pelo caminho.


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