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Editorial

Olhos nos representantes

25/03/2017 às 15:23
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Infelizmente, não é hábito dos brasileiros acompanhar o desempenho dos parlamentares que elegem. Poucos meses após as eleições, as pessoas nem sequer lembram mais em quem votaram. Esbravejam nas redes sociais contra decisões que consideram prejudiciais, mas esquecem de verificar qual foi a postura do deputado e do senador que ajudaram a eleger.

O amadurecimento da democracia passa pela conscientização de que o eleito é responsabilidade do eleitor. O cidadão pode e deve acompanhar as atividades do seu representante, principalmente agora, no momento em que o País inicia o debate sobre temas tão relevantes como as reformas da Previdência e trabalhista. Recentemente, a terceirização irrestrita - que divide opiniões em todo o País - foi aprovada pela Câmara dos Deputados e só depende da sanção presidencial para entrar em vigor. Como votaram os deputados amazonenses? A postura deles corresponde à sua expectativa? Certamente, muitos eleitores que conseguem lembrar em quem votaram, estão decepcionados.

Isso remete a outro requisito para o amadurecimento democrático: a conscientização sobre a importância do voto. É lamentável, mas uma parcela gigante da população vota de qualquer jeito, não pesquisa a trajetória do candidato, não procura conhecer os posicionamentos da pessoa e acaba votando pela cara ou pela simpatia.

Candidatos porcalhões despejam santinhos nas proximidades das zonas eleitorais por um motivo: funciona. Eles sabem que muitas pessoas vão decidir em quem votar no caminho até a urna. A falta de compromisso do eleitor em relação ao voto se reflete na falta de compromisso do eleito com aqueles que o elegeram.

O resultado é uma classe política de baixo nível e sem comprometimento. O cidadão perde a confiança em seus representantes e uma parcela chega a defender até a ruptura no modelo democrático, quando o poder para melhorar o nível da representação está em suas próprias mãos.

Mais do que nunca, é hora de acompanhar de perto o Parlamento, pressionar, cobrar os representantes, tendo em mente que, no próximo ano, haverá eleições; uma nova oportunidade para fazer escolhas mais acertadas nas urnas.