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Editorial

Omissão e apoio à impunidade

07/10/2017 às 18:17
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A taxa de crescimento da ordem de 44% dos conflitos pela posse de terra no Amazonas na comparação 2017-2016 expõe o elevado clima de violência no qual mais de 11 mil famílias estão submetidas. O levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) identificou 47 assassinatos até 23 de agosto deste ano contra 48 em todo o ano passado, tendo como motivação a terra em disputa.

Na Amazônia, a CPT identificou 977 áreas em conflitos por terra. A situação tende a se agravar na medida em que o aparato judicial e de segurança é moroso nas ações e submete as famílias que ocupam as terras ao poder de controle de grileiros ou latifundiários; outro aspecto é o do impacto produzido pelos grandes projetos tanto no Amazonas quanto na Região Amazônica que expulsam comunidades inteiras, reorganizam os espaços a partir de novos interesses e promovem, na maioria das experiências feitas, desestruturação sociocultural ampliando o número dos sem-moradia.

Na quinta-feira, relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também apresentou números que apontam para o agravamento das violências cometidas contra os povos indígenas. Há ação contínua e combinada entre governo e parlamento no sentido de fragilizar e fragmentar o movimento indígena brasileiro que tem na Amazônia a sua referência. O processo de demarcação das terras está suspenso e a pressão para rever áreas demarcadas, fazer valer o marco temporal e aprovar a exploração mineral nas terras indígenas constituem a face real dos ataques diários aos indígenas brasileiros.

A reunião dos números apresentados pela CPT aos do Cimi revela um quadro crítico: famílias de pequenos agricultores, indígenas e quilombolas enfrentam uma política que se caracteriza pela progressiva retirada dos direitos conquistados por esses segmentos. A palavra ameaça ganhou força e está presente no cotidiano desses milhares de pessoas. Os dois documentos também expõem a necessidade de monitoramento contínuo nessa área, de divulgação e cobrança de providências imediatas ao Governo Federal e das instituições de controle dos atos dos poderes. Ignorá-lo equivale a se tornar cúmplice na produção de mais confrontos e tragédias no Amazonas e na Amazônia. Nesses tempos, o governo brasileiro retarda iniciativas e ignora a situação.