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Editorial

Onde está o legado?

09/06/2018 às 15:56 - Atualizado em 09/06/2018 às 16:36
Show copaarenadaamazonia

Nesta semana completam-se quatro anos desde que a bola rolou no gramado da Arena da Amazônia, em Manaus, com a partida entre Inglaterra e Itália. Outros três jogos seriam realizados na capital com grande sucesso de público. Era a concretização de milhões em investimentos com a construção do estádio, de um centro de treinamento e pesados aportes em publicidade. Legado era a palavra da vez, traduzindo os benefícios que Manaus e o Amazonas teriam com os investimentos feitos e a promoção internacional da cidade como destino turístico.

Quatro anos depois, a Arena viu poucos grandes públicos, o monotrilho ficou só nas maquetes da Prefeitura, e a mobilidade urbana de Manaus continua caótica, para dizer o mínimo. O legado para Manaus e para o Amazonas, se houve, não foi positivo.

Os benefícios à mobilidade urbana em Manaus eram um dos principais argumentos dos entusiastas do evento. O monotrilho e o BRT (Bus Rapid Transit) faziam parte das ações que Manaus teria que realizar para credenciar a cidade como sub-sede da Copa. A primeira proposta foi descarta após impasses com a Justiça Federal. O trajeto causaria danos ao patrimônio histórico de Manaus, segundo as alegações. O desembolso para Manaus seria de R$ 1,3 bilhão, e chegou a ser confirmado várias vezes pela Prefeitura. Já a segunda proposta, o BRT, nem chegou a ser orçado. Sem as soluções de mobilidade, a Fifa resolveu deixar para lá e os jogos foram realizados assim mesmo.

A Arena, por sua vez, não consegue arrecadar o suficiente para ser uma estrutura economicamente sustentável. O custo de manutenção supera os R$ 8 milhões anuais. Em 2015, a arrecadação total não passou de R$ 694 mil. A falta de interesse por parte da iniciativa privada em assumir o empreendimento deixa o “abacaxi” no colo do governo do Estado, a quem cabe encontrar uma solução. Só para lembrar, a construção do estádio consumiu recursos da ordem de R$ 623,8 milhões e foi citado por delatores da Odebrecht como obra superfaturada. O TCU, em 2012, apontou superfaturamento de R$ 86,5 milhões na construção. O legado da Copa para Manaus, infelizmente, nunca se concretizou. A seleção brasileira se despediu da Copa melancolicamente após goleada diante da Alemanha. Para Manaus, a goleada parece ter sido muito maior.