Publicidade
Editorial

Oportunidade para os arranjos criativos

22/04/2017 às 16:47 - Atualizado em 22/04/2017 às 16:50
Show trabalho033333

A retomada dos empregos no Amazonas irá depender em muito da capacidade governamental de articular com o setor produtivo outras possibilidades. E mais, trabalhar áreas que estão à espera de oportunidades para serem desenvolvidas. Para isso, o governo precisa aprender a dialogar mais e buscar soluções que antes de serem gigantescas sejam exequíveis.

O modelo Zona Franca de Manaus mantém-se profundamente sensível ao humor da economia mundial e, cada vez mais especializada, deverá acomodar-se em determinado segmentos e com número de vagas limitado. O Amazonas tem outras possibilidades para ampliar postos de trabalho e geração de renda, entretanto, esses espaços têm sido deixados de lado ou no máximo tratados em discursos episódicos ou inclusão em programas que não saem do papel.

Mudar essa conduta parece ser o desafio mais difícil que a crise. Há muito, os governos habituaram-se a essa prática e na ZFM como começo e fim de tudo. As outras possíveis iniciativas que não podem ser tratadas como medidas de curto prazo não se concretizaram porque estavam embrulhadas em discursos sem prática. Como um Estado com as características do Amazonas e um mega polo industrial não conseguiu desenvolver alternativas econômicas e tornou-se tão dependente? A questão vem sendo apresentada há pelo menos duas décadas em sinal de alerta para o esgotamento do modelo ZFM.

Por que, por exemplo, o Centro de Biotecnologia da Amazônia não funciona? O que fazem as forças representativas do Estado para tirar da condição vegetativa o CBA? Quantos anos mais esse espaço permanecerá parado provocando prejuízos e retardando avanços técnico-científicos, novos postos de trabalho e de renda? O pior é que o assunto não consegue mobilizar essas forças, quando tratado o é de forma mais isolada o que enfraquece a defesa dessa pauta junto ao Governo Federal. A letargia em relação ao CBA só se compara a uma aceitação ampla de uma vontade superior que submete o Amazonas a esse quadro de pauperização.

A decisão de enfrentar a crise de agora com maior criatividade representa o entendimento de outra postura e da valorização de outras percepções que envolvam o vasto campo da economia criativa, dos arranjos de pequeno e médio porte que têm fôlego para envolver grupos comunitários, torná-los ativos e fazer circular recursos.