Domingo, 16 de Maio de 2021
Editorial

Os ataques à Amazônia


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17/04/2021 às 11:40

Os crimes ambientais cometidos na Amazônia e a postura do governo federal ao lidar com os autores do ato são um quadro de preocupação nacional e internacional. A pressão de ruralistas para obterem mais flexibilizações legais nas atividades na região mostram que esse é um tempo de ameaças efetivas ao território amazônico.

Para o governo, os negócios com madeira, garimpo, mineração, agronegócio entre outros devem ser levados adiante e vem sendo tratados numa perspectiva de ampla abertura sem os cuidados que necessitam e, em algumas atividades, à beira da ilegalidade e do favorecimento suspeito. O fato envolvendo a exoneração do delegado da Polícia Federal do Amazonas na quinta-feira, mostra que a atitude correta nessa área, gera punição e, mais uma vez, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está no centro da questão, poupado quando deveria ser cobrado a se explicar.

Mantido o ritmo das ações do governo para a Amazônia o que se apresenta é a disposição oficial de abrir a região a investidas perigosas que como visto em vários momentos da história brasileira acabaram em destruição e tragédia. Alguns grupos conseguem obter lucros nos negócios que realizam na região, mas deixam o rastro da desestruturação, mais pobreza e violência às populações que moram na área e danos profundos à fauna e flora.

O quadro que está ganhando força deverá, por outro lado, ampliar as dificuldades do governo brasileiro na retomada de investimentos a partir de parceiras internacionais. Se a conduta adotada para lidar com a pandemia do novo coronavirus faz, hoje, do Brasil uma situação-problema em todo o mundo, com repercussão grave para o turismo de eventos, cultural, de lazer diante dos vetos e governos de vários países ao país, a tendência é que a política governamental para a Amazônia se constituía em outra frente de pressão externa sobre as ações oficiais que o governo chama de desenvolvimento regional amazônico.

Internamente, o que resta fazer é tentar enfrentar as investidas de ataques à Amazônia e isso exige que os setores mais sensatos da sociedade se aproximem e se articulem para se posicionarem, por meio legal, diante das ações. Os saques aos bens da Região Amazônica continuam ocorrendo, a legislação permanece sendo desrespeitada como se nada estivesse acontecendo.


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