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Editorial

Os desafios do turismo

08/05/2018 às 21:50 - Atualizado em 08/05/2018 às 22:05
Show iracema

O turismo é uma das eternas potencialidades da Amazônia – e do Estado do Amazonas em especial – que nunca se realiza, ficando apenas no potencial mesmo. Não faltam opções a serem desenvolvidas: cachoeiras em Presidente Figueiredo, praias em Maués, pesca esportiva em Barcelos e uma infinidade de belezas naturais capazes de transformar o Amazonas em uma das principais potências turísticas do mundo. Mas, por diversos motivos, o setor segue pouco explorado.

Por que as cachoeiras de Presidente Figueiredo não são uma atração nacional e até mundial? Não são belas o bastante? Outras regiões têm atrações menos deslumbrantes que atraem muito mais turistas. O que falta? À exceção do Festival de Parintins, que reúne apoio governamental e da iniciativa privada, outros potenciais turísticos na Amazônia não despertam o mesmo entusiasmo.

Especialistas dirão que é preciso planejamento estratégico em torno do turismo amazônico; planejamento integrado, com previsão de investimentos bem definidos e considerando os diversos aspectos de cada atividade. É o que o governo do estado pretende começar a desenvolver no Amazonas. Um dos passos nesse sentido é a divulgação dos destinos, o que já vem sendo feito; mas é preciso também preparar os locais para receber os visitantes e resolver velhos gargalos de infraestrutura que dificultam a logística de transporte.

Como é um cenário que se construiu ao longo de décadas de descaso, não é algo que se resolva em poucos meses, mas é preciso começar. Do contrário, o turismo continuará recebendo o tratamento que teve nas últimas gestões estaduais, quando a Amazonastur servia apenas para proporcionar viagens internacionais a gestores públicos, com pouco ou nenhum resultado prático.

As parcerias firmadas com entidades chinesas e russas ligadas à promoção do turismo são passos importantes que já estão sendo dados com boas perspectivas de retorno para o Amazonas. Mas é preciso avançar mais. A iniciativa privada tem caminhado aos trancos e barrancos, sem apoio oficial e enfrentando um mundo de burocracias. Esses esforços precisam ser identificados e apoiados. É necessário que o desenvolvimento do turismo no Amazonas seja tratado como política estratégica de estado e não apenas de governo.