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Editorial

Os efeitos da crise na Amazônia

09/07/2017 às 18:53 - Atualizado em 09/07/2017 às 18:54
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Levantamentos que começam a ser tornados públicos em doses espalhadas mostram o efeito da crise ética-política do Brasil em setores cruciais à vida nacional embora tratados, tradicionalmente, como tema à parte.  Um deles trata dos biomas do Brasil. O desmonte acelerado de programas sociais, o redirecionamento dos investimentos governamentais a outras áreas atuam para a constituição de ataques simultâneos e em larga escala a esses biomas.

O modelo econômico apoiado pelo governo do Brasil, a reformulação das áreas de interesse, a investida no campo ambiental (com revisão para encolher áreas de proteção ambiental, rever terras indígenas demarcadas e apoiar iniciativas de exploração mineral em terra indígena) são uma realidade. A outra expressão é a retomada da precarização da vida dos brasileiros, desemprego, subemprego, achatamento salarial compondo o quadro de desajuste. Nele habitam os interesses nada republicanos do governo e de grupo nacionais e internacionais, com braços ativos nos outros poderes (Legislativo e Judiciário) para concretizar as propostas formuladas.

A Amazônia é um dos espaços para onde se direcionam fatia generosa dessas iniciativas e, nela, a parte ocidental da região.  A CRÍTICA, em dois momentos, na edição de domingo, aborda a questão quando mostra a situação da área do Tarumã, um dos mais belos locais de Manaus, hoje em luta para sobreviver e manter parte do seu ecossistema pressionado por outros empreendimentos. O tarumã vive na memória da população como um pedaço do paraíso que, hoje, necessita ser amparado e protegido para não ser completamente destruído; em outra matéria, o representante da WWW Brasil mostra o quanto seria importante que houvesse no Amazonas investimentos no verde, conservando-o como um negócio rentável e sustentável; a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dedicou este ano para debater e chamar a tomada de posição dos cidadãos e cristão aos biomas para os quais pede o cultivo e a guarda da criação.

Ao mesmo tempo, o desmatamento, comércio ilegal de madeira, incêndios e ataques sistemáticos a povos indígenas e a pequenos agricultores vem se tornando notícias cada vez mais frequentes. O governo do País não só retarda tomada de posição para impor normas nesse campo como a atual política de governo tem nessa instabilidade um dos seus aliados para empurrar projetos desenvolvimentistas.