Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
Editorial

Os efeitos do IOF sobre as finanças dos brasileiros


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22/09/2021 às 06:50

Há dois dias, está em vigor o novo valor da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e, com ele, uma enxurrada de dificuldades para a população brasileira. As operações para pessoas físicas que estavam em 0,0082% até 3% ao ano, são desde o dia 20 de 0,0112% até 4,11% ao ano.

A decisão, anunciada pelo presidente da República, expressa o arranjo feito pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes para garantir os recursos a serem alocados no programa ‘Auxilio Brasil’ que irá substituir o ‘Bolsa Família’. No rastro da decisão, está o encarecimento do custo do crédito, impacto nas operações com o cartão de crédito, crédito pessoal e de empresas.

Se até agora os apertos financeiros já estrangulavam milhões de famílias brasileiras, com a medida sobre o IOF os apertos serão maiores. A equipe econômica do governo federal fez a opção pela decisão mais fácil, embora impopular, quando poderia oferecer outras possibilidades e evitar mais um golpe à economia popular. Os juros que estavam sob elevação em consequência da elevação da taxa Selic agora irão ficar mais elevados em decorrência do novo valor do IOF.

A medida vale até 31 de dezembro, em princípio, e ocorre em momento de profunda dificuldade para a maioria dos brasileiros. Especialistas afirmam que o Brasil necessita de planejamento na área social, o que não foi feito, e não de medidas que irão funcionar em curto prazo. Ou seja, como se a partir do final do mês de dezembro a situação dos mais carentes estivesse resolvida. Aliás, esse é outro aspecto que exige ser tratado com responsabilidade pelo governo.

Aumenta a alíquota do IOF após declarar, por diversas vezes, que o governo não aumentaria impostos, e não apresenta nenhum plano consistente para enfrentar a pobreza e a miséria. Adota um mecanismo paliativo que parece ter como motivação maior as eleições do próximo ano. O problema social em si não importa o quanto deveria e sim a tentativa de canalizar votos.

O governo comete mais um erro grosseiro, arrocha as finanças dos brasileiros e não sinaliza com um programa fruto de um planejamento adequado para atender as necessidades dos segmentos mais vulneráveis. Tudo a toque de caixa e com alto preço para a sociedade.


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