Sábado, 08 de Agosto de 2020
Editorial

Os embates em torno da Lava Jato


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01/08/2020 às 08:11

O presente da Operação Lava Jato, inaugurada em 14 de março de 2014, é uma peça teatral de péssima qualidade. Se antes, especialistas apontavam comportamentos que ignoravam e ou secundarizavam princípios constitucionais, hoje o nível de disputa interna pelo controle das investigações ameaça destruí-la.

O ‘lava jatismo’, como o procurador-geral da República, Augusto Aras, comparou a ação está sob uma linha tênue ameaçada de cair e espedaçar-se porque interesses mais fortes se aproximam e tentam definir um novo perfil para a investigação. Está em andamento proposta de divisão da Lava Jato em quatro áreas; medidas duras da fiscalização funcionaram e funcionam para uns enquanto são relaxadas ou vetadas para outros. O mais recente episódio envolvendo o senador José Serra (PSDB-SP) e a filha dele, demonstram o efeito de uma justiça parcial.

Outros componentes passam a impactar a atuação da Lava Jato, como a reorganização das forças de direita e do centro em espaços de poder como o Congresso Nacional, o Executivo e o Judiciário. A questão eleitoral atinge diretamente a Lava Jato ora tratada como espécie de trampolim para a conquista de cargos eletivos nos poderes executivo e legislativo, ora na condição de dossiê que de acordo com os pactos feitos poderá ser revelado ou não. Numa ou noutra maneira, a ação já está contaminada e sobre ela aumenta a suspeição quanto à seriedade e a postura ética-técnica nos atos realizados pela força-tarefa.

A primeira fase da Lava Jato sacudiu o País e levou a mudanças que geraram o impedimento de uma presidente, a prisão de um ex-presidente, ex-governadores, grandes empresários. Beneficiou a candidatura do atual presidente do Brasil e levou juízes, como Sérgio Mouro, ao estrelato embalando sua passagem para o Ministério da Justiça. Algumas figuras foram colocadas sob efeito da imunização da investigação e, outras, na mira mais recente dos desdobramentos da operação, demonstraram o tamanho do poder que possuem para, até agora, se safarem da prestação de contas à Justiça.

As investidas da direção da PGU e atos da presidência do Superior Tribunal Federal (STF) expressam a pressão para mudar o rumo da investigação ou abrandá-la como se fosse uma nova Lava Jato dentro daquela ação iniciada há seis anos.


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