Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
Editorial

Os ‘gatos’ elétricos e a distinção


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16/11/2019 às 09:10

Ações efetivas de políticas públicas poderiam minimizar e até mesmo resolver o velho dilema das ligações irregulares de energia elétrica, os “gatos”. Tradicionalmente, o que ocorre são iniciativas esporádicas que, em geral, miram na  criminalização dos usuários. A outra face dos “gatos” nos bairros de Manaus revela uma situação de exclusão socioeconômica e a inabilidade governamental para tratar da questão.  Matéria publicada na página  C1 de A CRÍTICA, edição de 14 de novembro, expõe uma série de elementos recorrentes nessa temática e deixa indicações para o que as autoridades governamentais querem de fato fazer a fim de criar um modelo capaz de enfrentar eficientemente o problema dos “gatos” elétricos.

O mapeamento da situação parece existir e, pelos relatos da mídia, tem se concentrado no recolhimento dos dados das áreas mais pobres da cidade. Fica uma pergunta: quanto custa o desvio de energia elétrica feita por outros segmentos e por grupos familiares de alto poder aquisitivo?

Não se trata de uma defesa do ato de desviar energia elétrica. Este precisa e deve ser combatido, dentre outras razões, por representar, principalmente naquelas regiões mais pobres onde as ligações estão à vista e são feitas de qualquer maneira, porque representam ameaça a vida. A outra dimensão é a do foco discriminatório que a ação de combate aos “gatos” elétricos demarca ao ignorar ou submeter a uma prática de esquecimento os outros setores que recorrem a igual procedimento para reduzir valores no pagamento da taxa de energia elétrica e que têm consumo muito mais elevado em função do padrão de vida que desfrutam em ambientes domésticos e ou empresariais.

Falta uma conversa responsável, estratégica e determinada a gerar soluções entre as partes envolvidas com o problema, o governo, a empresa concessionária e as organizações que com eles atuam nesse setor, bem como os representantes das comunidades, nesse caso. No outro, o daqueles que burlam a lei a partir de uma série de artifícios e da certeza que têm de que, pelo cargo ou relação política que possuem, não serão incomodados, a forma de tratamento deve ser outra. Culpabilizar um segmento, o mais pobre, é uma maneira de oferecer resposta ao público pouco eficaz. Poe gerar o desligamento dos “gatos”, multas, mas está muito longe de resolver o que se constitui em um entrave real com repercussão nas várias interfaces da cidade de Manaus.  


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