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Editorial

Os idosos e a violência cotidiana

15/11/2017 às 21:17
Show ido

A falta de medidas ativas de proteção à pessoa idosa vem submetendo parcela dessa população a situações recorrentes de violência e de morte. São crescentes os relatos de agressões aidosos no âmbito da família, da vizinhança e nos espaços públicos de maior movimentação.

Casos registrados por A CRÍTICA mostram na edição de quarta-feira do caderno de Cidades, nas páginas C6 e C7, que uma senhora de 62 anos foi atropelada e morta por motorista de ônibus; outra roubada e agredida por jovens. No sábado, em encontro organizado pela Arquidiocese de Manaus para debater a violência contra a mulher, as participantes relataram inúmeros atos de violência praticados por familiares e por vizinhos. Em todas as ocorrências relatadas o fato mais citado por elas é o sentimento de abandono, de não saber a quem recorrer para se sentirem mais protegidas.

Esses, infelizmente, não são situações isoladas na cidade. A distância dos mecanismos criados para garantir integridade e proteção à pessoa idosa da realidade dessa população é enorme em Manaus, a começar pela infraestrutura da cidade que ainda está longe de ser aceita como parceira dos que estão acima dos 60 anos. O planejamento urbano da capital amazonense está marcado por contemplar o fluxo de veículos e os segmentos mais jovens que podem driblar os obstáculos. Esse aspecto em si já demonstra qual é a disposição e o entendimento de gestores públicos em relação a população idosa e nele uma série de violência é diariamente realizada como parte do pacote de ‘naturalidade’ dos que vivem nas chamadas metrópoles. 

No caso dos transportes públicos, é escancarada a falta de respeito para como passageiros idosos. Motoristas não param o veículo nos pontos onde essas pessoas estão, quando o fazem têm pressa e nãotêm paciência para aceitar o movimento mais lento desse perfil de passageiro, deixando-o, por vezes, em condições perigosas ou mesmo acidentando-o tanto para entrar quando para sair do ônibus. Nas travessias de ruas, a mesa situação se repete.

A questão posta é quem irá intervir para impedir a contínua agressão à pessoa idosa? Que de atenção e por quais setores está sendo dada à população da terceira idade? E como tornar mais visíveis e presentes os instrumentos protetivos? O quase silêncio ajuda a matar todos os dias uma pessoa idosa.