Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
Editorial

Os imigrantes na cidade


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02/12/2019 às 07:49

O que falta ao Amazonas e a capital, Manaus, desenvolverem uma política decente de atenção aos imigrantes? Por que é tão difícil estabelecer parâmetros de acolhida digna aos venezuelanos que, em parte, perambulam pelos pontos de movimento, nas proximidades dos semáforos, com enorme presença de crianças em todas as faixas etárias, expostas a diferentes formas de violência?

Há um sentimento em circulação pública na abordagem desse drama social do mundo, a vontade de parte da população manauara em retirar das ruas os imigrantes que com cartazes ou gestos pedem ajuda. Não é um sentimento movido pela ideia de solidariedade, de se colocar, por alguns minutos, no lugar do outro. Ao contrário, revela o desejo de “limpar” a cidade do que é entendido como um problema, um atraso, um enfeiamento de Manaus.

Outra alegação que, em estudos mais profundos poderão revelar uma feição dos valores defendidos por parte dos habitantes da cidade, o racismo e a discriminação são alguns deles. Falta respeito no trato dessas pessoas e sobram os julgamentos e as condenações fáceis que transitam de boca em boca, do motorista de taxi ao de ônibus, do estudante ao professor, da dona de casa aos grupos de amigos reunidos em botecos e feiras.

O avanço da presença de imigrantes em Manaus pressiona para que as autoridades governamentais tragam o tema ao cotidiano de suas ações, pois já não podem olhar de longe e dizer ‘isso não é comigo’. Também questiona as demais instituições, organizações de representação empresarial, de trabalhadores, de pesquisadores e intelectuais, religiosas e sociais. Como lidar da melhor maneira com uma demanda dessa natureza?  Na maior parte do mundo, afetada pela imigração há algumas décadas, uma série de experiências foram se consolidando para criar e manter espaços com uma base digna às pessoas em situação de vulnerabilidade que transitam entre países e cidades. É importante conhece-las. Elas podem oferecer indicadores que, respeitando as condições de cada lugar, ajudariam na montagem de uma política voltada à população imigrante e, igualmente, ajudaria na realização de um trabalho mais profundo de educação para lidar com os imigrantes, populações deslocadas, refugiadas, vulneráveis; ao mesmo tempo, no combate a uma postura de violência que vigora na cidade e alimenta os atos de discriminação contra essas pessoas.


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