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Editorial

Os limites do loteamento de cargos

30/01/2018 às 22:45 - Atualizado em 31/01/2018 às 02:03
Show cristiane

Os amigos da deputada federal e ministra indicada Cristiane Brasil (PTB-RJ) prestaram um bom serviço à nação. Em poucos minutos expuseram ao País e ao mundo um pouco da parlamentar cujo pai, Roberto Jefferson, cacique da legenda, exige colocá-la no primeiro escalão do governo Michel Temer. Brasil apresenta mais um problema para eventual liberação pela Justiça à posse dela e, se ainda for considerada a ética parlamentar, deverá se explicar no âmbito da Câmara dos Deputados.

Sem o vídeo, é provável que a maioria dos brasileiros não tivesse a oportunidade de conhecer um pouco mais de determinadas condutas e relações que norteiam a indicação de nomes para compor quadros no governo, e da postura da deputada federal. O nome para dirigir o Ministério do Trabalho continua sendo uma decisão do PTB informam interlocutores de Michel Temer que, para assegurar a aliança com o partido, mantém esticada a corda do acordo com Jefferson.

Um país com graves problemas nas relações trabalhistas, ainda lidando com situações de escravagismo, do subemprego, e na geração de novos postos de trabalho, deveria ter por parte da Presidência da República cuidado dobrado nos acertos político-partidários para lotear cargos. O desprezo pela postura proba chegou a nível tão elevado ao ponto de manter em pauta assuntos como o da nomeação da deputada petebista quando sequer deveria ter sido iniciado por absoluta inadequação.

A presidência do Supremo Tribunal Federal, ao acolher a representação feita pela Associação dos Advogados Trabalhistas contra a quarta tentativa de posse da ministra, acerta. Sinaliza para que o Governo Federal use seu tempo de negociação com no mínimo parâmetros mais decentes para justificar as indicações de nomes candidatos a ocupar funções públicas.

O que a sociedade brasileira assiste é uma trágica comédia onde as risadas significam o choro e o desespero de milhares de pessoas que aguardam do Ministério do Trabalho políticas mais humanas, justas e dinâmicas para enfrentar a exclusão em avanço, as desigualdades salariais e a precarização nas condições de trabalho. São brasileiros que todos os dias enfrentam a escassez de alimento, de recursos financeiros e se veem diante da falta de perspectiva enquanto a ministra indicada faz festa pública e desrespeitosa.