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Editorial

Os negócios da crise ética do governo Temer

27/06/2017 às 22:55
Show temer

Tem crise ética e tem dinheiro farto para revertê-la. É o que fica evidente nas crises mais recentes do governo brasileiro.  A torneira aberta sob o comando do presidente da República, Michel Temer, para atender reclamos de governadores, ampliar financiamentos e manejar nomes em cargos públicos demonstra que a noção de limite não existe na guerra pela manutenção de posições ameaçadas. E desse festival de distribuição dos bens públicos algumas perguntas começam a ser feitas.

Como explicar aos brasileiros a necessidade de realizar reformas com impactos tão duros na vida das pessoas se há dinheiro disponível para pagar a tabela de preços altos dos acordos entre os poderes?  Quais parâmetros podem ser utilizados na bolsa aberta dos gastos públicos?  A coluna vertebral das reformas anunciada pelo presidente e pelos que representam a sua base está em permanentemente ataque deixando claro que a principal motivação no momento é a de comprar apoio. Depois de encontrar com governadores no mês de abril onde assumiu compromissos financeiros com estes, mais uma vez, diante da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente Michel Temer autoriza novos créditos esvaziando o discurso da necessidade de austeridade e corte nos gastos públicos, feito e repetido ene vezes pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A crise ética se expande em novas revelações/delações.  E os recursos financeiros públicos são esticados na vasta distribuição por alianças que possam impedir, nesse caso, a saída de Temer da Presidência da República. O comportamento atinge diretamente o Congresso Nacional onde deputados e senadores estariam  aptos e ávidos a negociar votos e contamina igualmente setores do Judiciário.

Ontem, o pronunciamento feito pelo presidente Michel Temer foi  marcado pelo ataque direto ao procurador-geral da República, e por  ignorar as questões e, é bom lembrar, as cenas, que colocam sob suspeita a conduta presidencial. Os antecedentes da fala são elementos do tamanho da instabilidade que cerca o governo Temer. Atraso em nome da chegada de aliados para que, na imagem a ser circulada, o presidente esteja numerosamente ‘amparado’. Se o amparo depende da compra articulações estão em andamento a fim de que mais um  negócio seja concluído. O que finca à espera de resposta é qual será a decisão a ser tomada pela Câmara dos Deputados no caso Temer.