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Editorial

Os pescadores merecem explicações

08/12/2017 às 20:55 - Atualizado em 08/12/2017 às 21:02
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Uma das modalidades de crime preferida pelos corruptos é aquela que envolve a enganação de pessoas humildes de baixa escolaridade, seja como massa de manobra, seja como alvo direto do roubo. A classe de trabalhadores em questão são os pescadores do Amazonas. Na última quinta-feira, o Ministério Público do Estado (MPE), por meio da Operação Traíra, constatou desvios de R$ 7,8 milhões de recursos que deveriam beneficiar os pescadores artesanais com a realização de cursos de capacitação. A suspeita é que convênios firmados entre a Federação de Pescadores de Amazonas e Roraima (Fepesca), governo do Amazonas e empresas privadas tenham beneficiado políticos em ano eleitoral entre os anos de 2009 e 2014.

Para o MPE, não resta dúvida que a diretora da Fepesca, comandada há mais de uma década pelo ex-deputado estadual Walzenir Falcão, e empresários estão bastante envolvidos no esquema. Defendemos o devido processo legal, que as investigações prossigam com celeridade e que, comprovados os crimes, que os suspeitos sejam denunciados à Justiça e punidos na forma da lei, se for o caso. 

O direito à ampla defesa faz parte desse processo. Supõe-se que seja de total interesse da Fepesca esclarecer tudo de forma adequada. No entanto, não é o que se vê. Na primeira manifestação da entidade no dia seguinte à operação Traíra, esperava-se da diretoria da instituição explicações detalhadas e devidamente documentadas, rebatendo as graves acusações formuladas pelo MPE. Seria o momento ideal para explicar, por exemplo, por que a receita da Fepesca dobrava em ano eleitoral, onde estão as provas de que os cursos contratados para os pescadores foram realmente ministrados, onde estão os pescadores contemplados por tais cursos.
Em vez disso, o presidente da entidade, Walzenir Falcão, limitou-se a negar as acusações e dizer que as explicações serão dadas ao órgão ministerial. Ele convocou a imprensa e acabou perdendo a oportunidade de explicar de uma vez se houve ou não fraudes nos convênios. Se há provas da inocência, que sejam logo apresentadas. Os pescadores artesanais do Amazonas e de Roraima, que contribuem para a manutenção da entidade, merecem uma boa explicação com máxima urgência.