Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
Editorial

Os poderes devem se apresentar


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16/07/2019 às 08:07

A prática da Justiça com mãos próprias tornou-se recorrência no Brasil e destituir-se dela levará tempo longo.  Pela omissão do Estado e ou a fragilização deste no trato das coisas públicas, das garantias individuais e coletivas, o sinal dado e, no atual contexto, incentivado escancaradamente, é o de defendam-se como puderem e por conta própria. Uma ameaça generalizada porque destitui o Estado Democrático de Direito da sua função e empurra a sociedade para viver o retrocesso, a fase da barbárie da qual vem tentando desvencilhar-se ao constatar, em todo o mundo, que esse modelo de vida não resultava em convivência mais humana e humanizadora.

Medidas que tentam conter a ação de piratas nos rios do Amazonas seguem nessa direção e diante do impasse gerado: vítimas de ataques constantes, empresários e trabalhadores do setor de transporte fluvial estão reestruturando a forma de atuação para se defenderem da ação criminosa. Seguranças estão sendo contratados e deverão atuar no sentido de minimizar a insegurança a que o segmento foi submetido sem respostas efetivas do Estado.

Não são somente os negócios empresarias do setor que estão afetados ou a vida de os trabalhadores, milhares de passageiros que utilizam o transporte fluvial está igualmente vivendo a violência nas águas dos rios do Amazonas. O fato não é novidade, há muito tempo vem sendo denunciado e é tema de matérias na mídia, o que não se constata é a resposta governamental que considere a gravidade da situação e a necessidade de planejar e agir diante desse outro dado de expansão da violência e da ação criminosa.

A ação paralela, como mostra matéria de A CRÍTICA, na seção Tema do Dia de domingo, é também um pedido de socorro, uma nova advertência para que os poderes, por meio de seus representantes, se manifestem, atuem com determinação e estabeleçam, conjuntamente, ações que possam se configurar na presença efetiva do Estado e na segurança no transporte de pessoas e cargas nos rios do Amazonas. Ainda que dificuldades permaneçam elas não podem ser a eterna resposta bem como a impossibilidade de agir. Parcerias legais podem ser firmadas e planos inteligentes executados para enfrentar os ataques às embarcações que diariamente estão nas estradas fluviais desta região e posicionar a presença do Estado.      


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