Segunda-feira, 01 de Março de 2021
Editorial

Os preços dos combustíveis e a crise maior


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20/02/2021 às 09:31

Os reajustes em série nos preços da gasolina e do diesel passando pelo o de gás de cozinha são atos que apontam para agravar a crise de governabilidade no País quando avaliados no conjunto das medidas de governo para atender pressões de segmentos e movimentar a política econômica. Faltam referências e esclarecimentos.

Os avisos-anúncios feitos pelo presidente da República no caso dos combustíveis e dos impostos incidentes endossam os problemas que estão para além desse setor e podem produzir consequências mais danosas. A forma de condução do assunto por parte do chefe da nação afeta diretamente a Petrobras, empresa de capital aberto, e sinaliza para desestabilização caso mantida a decisão de ignorar as instâncias de comando da estatal e o fomento do jogo de ataque e defesa.  Na sexta-feira, o clima instaurado por essa postura fez as ações da empresa despencarem.

Não é um foco de incêndio a ser apagado, são focos sendo multiplicados nas diferentes áreas sob a responsabilidade da administração federal e aparente interesse em mantê-los ativos. Na ponta, estão milhares de famílias que enfrentam dificuldades para conseguir comprar a botija de gás, os que desviam valores de outras despesas fixas a fim de conseguir manter o combustível nos veículos e mais de 14 milhões de brasileiros desempregados que se aproximam a passos rápidos da outra multidão de famintos.

A pandemia da Covid-19 é a base do aprofundamento da maioria dos problemas econômico-sociais no mundo, gerou lentidão e, por meses, paralisia na ação econômica de setores importantes. Ao mesmo tempo, aos governos cabe a tarefa de enfrentar a crise e propor caminhos a serem percorridos para minimizar os impactos. Isso era e é possível desde que houvesse disposição, responsabilidade e capacidade para dialogar com diferentes representações da sociedade em nome da formulação de um pacto pela vida na longa vigência da pandemia.

O que se viu desde o início e assim permanece é o apreço a confusão, ao desentendimento, à produção de notícias falsas e sucessão de erros nas decisões de agentes governamentais federais. Nos estados e municípios, governadores e prefeitos foram empurrados à estreita política administrativa do apoiar o presidente ou ser contrário a ele quando o momento pede maturidade e responsabilidade constitucional. Nem um passo novo e promissor foi dado até agora, governadores tentam estabelecer pontes com a União que se expressa na produção de brigas pobres.


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