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Editorial

Os presos somos nós

06/01/2017 às 22:47
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A população de Manaus continua sob os efeitos da barbárie que se manifestou nos presídios da cidade nos últimos dias, somada ao novo banho de sangue ocorrido em Roraima. Todos estão com os nervos à flor da pele, temendo pela própria segurança. Impossível  ignorar que mais de 100 condenados fugitivos  continuam à solta na cidade.

Isso tem causado situações inéditas na capital. Como ver o Centro comercial fechado no meio da tarde, com clientes trancados dentro das lojas, temendo voltar às ruas. Foi apenas um susto. Bastou a correria de algumas pessoas para que o temor de que um arrastão estivesse em andamento se espalhasse rapidamente.

Ontem, houve relatos de casos parecidos em shoppings centers. Tudo efeito do pavor que tomou conta da cidade desde a tragédia no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) no início de ano mais traumático dos últimos tempos.

Ontem, na primeira sexta-feira de 2017, o que se viu foram bares esvaziados e até fechados. As pessoas, com medo, preferem ficar em casa, numa inversão dramática: é a  população que está presa, com medo dos bandidos que estão livres.

Tal panorama exige uma resposta forte das autoridades responsáveis por garantir a segurança das pessoas. Mas, após um longo silêncio, a Presidência da República tratou o assunto como um “acidente” e o Ministério da Justiça, comandado por alguém que já atuou na defesa de interesses do PCC - uma das facções envolvidas nos recentes banhos de sangue - propõe um plano de segurança baseado na construção de mais presídios.

 Especialistas foram unânimes em apontar as falhas do plano anunciado pelo governo federal, uma estratégia que combate os efeitos do problema, como a superlotação. Nesse momento, o País precisa de união, com governo federal,  governos estaduais e também o Judiciário atuando de forma integrada na busca por soluções. O papel do Judiciário é dos mais importantes. Se houver celeridade e bom senso nos julgamentos e definição de penas, os ladrões de galinha e apenados de menor periculosidade estarão fora das prisões, deixando de conviver com criminosos realmente perigosos. Enquanto não se encontra uma solução, a população de Manaus segue sobressaltada, aprisionada ao medo.