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Editorial

Os problemas avançam, as soluções retardam

15/01/2017 às 21:15
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A semana inicia sem novidades promissoras e com excesso de confusão, falta de decisões corretas e que representem uma conduta política madura. Por enquanto, a guerra das vaidades entre as autoridades é o elemento prevalente. Populismo, autoritarismo e disputas de poder regem os atos administrativos até agora anunciados e adotados numa das faces de um dos gargalos brasileiros, o sistema prisional.

O vai e vem de presos porque estão sem local onde ficar com garantia de vida, que é dever do Estado, os apelos feitos nacionalmente por determinada corrente de comunicadores, parlamentares e outros atores em defesa de matança e ais chacinas e a completa inabilidade governamental compõem o cenário até agora percebido. Em paralelo, as matanças nos presídios estão sendo multiplicadas. O mais recente, no Rio Grande do Norte, é mais um indicador do desmantelamento completo das estruturas de segurança pública. Se avaliadas, são preocupantes as declarações das autoridades e mais, independente do posto que ocupam as falas dessas autoridades têm um dado comum: retiram do Estado a responsabilidade e a atribuem a terceiros numa indicação de que nada têm a ver como as tragédias que ora são registradas.

Fora do ciclo das autoridades públicas, outros setores da sociedade reproduzem vigorosamente esse mesmo pensamento. A população desorientada e em estado de pavor tenta encontrar respostas rápidas e com o mínimo de sensação de segurança para continuar a sua rotina. Teme a sobra, teme os que têm traços fisionômicos parecidos com os que foram apresentados como criminosos foragidos e reproduz práticas danosas que poderão ser outros atos de violência generalizada.

Infelizmente, os governos não têm ajudado a esclarecer e indicar caminhos à sociedade. A guerra entre seus integrantes mostra a falta de pessoas capazes de promover melhor interlocução. O que parece ser mais adequado é reconhecer a gravidade da situação que é nacional, com focos locais, tomar providências que funcionem para essas condições e, ao mesmo tempo, promover investigações que possibilitem saber dos desvios, das falhas e corrigir. A sensação transmitida é de governos com mãos atadas que não sabem o que fazer e não têm vontade de construir apoios para ações bem pactuadas nacionalmente. Nem o Serviço Nacional de Inteligência escapa a essa rede de intrigas que segue entre os agentes públicos aparentemente mais preocupados em culpabilizar do que agir para assegurar o mínimo de normalidade às pessoas.