Quinta-feira, 26 de Novembro de 2020
Editorial

Os santinhos e o lixo da cidade


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18/11/2020 às 06:44

A atividade política em momentos como o de campanhas eleitorais não exime responsabilidade e responsabilização de partidos e candidatos em condutas que desrespeitem a legislação. A distribuição dos santinhos no espaço público é um dessas ações que exige ampliar informações sobre os procedimentos que devem ser observados e alertas quanto a punições por desconsideração das normas.

Após o encerramento da primeira etapa das eleições deste ano, no dia 15, o que se viu em Manaus e outras tantas cidades brasileiras foi muito lixo. Os santinhos estavam espalhados em todos os lugares. Não eram o único lixo nas ruas e esquinas, também podiam ser vistos vidros, copos descartáveis, plásticos e garrafas PETs, sobras de comidas e de lanches. O rastro de sujeira exprime um dado da cidade e do nível de cidadania que possui.

Candidatos e representantes de partidos políticos têm a obrigação de atuarem em favor da cidade e não contra ela. Ajudar a sujar o município não se coaduna com uma proposta política responsavelmente decente, ao contrário atenta contra ela. Foi o que ocorreu Manaus, envolvendo grande parte dos candidatos tanto ao cargo de prefeito quanto ao de vereador. A sujeira deixada demonstra o quanto a política necessita se aproximar daquilo que trata no discurso e oferece como promessa que é, em geral, defender os interesses dos moradores e atuar no sentido de contribuir com o bom desenvolvimento do município do qual, decididamente, o lixo permanente não é parte.

Nesta etapa do segundo turno eleitoral é preciso que tanto a Justiça Eleitoral quanto os partidos de Amazonino Mendes e Davi Almeida, os coordenadores de campanha e os responsáveis pelo trabalho de cabos eleitorais atentem para a produção do lixo. Não é admissível que candidatos a cuidar da cidade e de sua gente, em nome da campanha política, emporcalhem os espaços públicos do município. Pontos de ônibus, praças, áreas próximas às entradas dos locais de votação estavam, todos, com centenas de papeis – os santinhos – lançados no chão, muitos colocados em bueiros. Se não recolhidos em tempo hábil irão ajudar a entupir a passagem da água da chuva e gerar velhos transtornos que, frequentemente, são transformados em tragédias. A campanha eleitoral pode ser parte de uma pedagogia de respeito à cidade.  


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