Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
Editorial

Os ‘sem luz’ da Amazônia


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29/11/2019 às 09:04

São 990,1 mil pessoas, na Amazônia, sem acesso à rede regular de energia elétrica. Do total, 160 mil estão no Amazonas, de acordo com estudos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), divulgados na terça-feira e abordados em reportagem do correspondente de A CRÍTICA, em Brasília, Antônio Paulo.

No Acre, está a maioria da população amazônida sem energia elétrica, seguido de Rondônia e do Pará que respectivamente ocupam o segundo e terceiro lugares quando avaliadas as piores condições. A apresentação desse estudo ocorre em momento complexo na tomada de decisão do governo federal cuja atuação está vinculada a uma lógica de privatização das empresas públicas.

Da mesma forma como ocorreu com o setor de saneamento básico, quando inúmeras empresas de fornecimento de água foram vendidas, o setor elétrico passa por um processo semelhante. O dado mais recente, como números apresentados em audiência pública sobre o marco legal do saneamento básico, realizada na Assembleia Legislativa do Amazonas, no mês de outubro, mostra que o setor privado tem interesse em explorar lugares onde pode ter a garantia de retorno financeiro.

No caso da água e da energia, as cidades mais pobres da Amazônia não estão nesse arco de possibilidade e, se o governo não compreender a função que tem e a responsabilidade constitucional para com essas populações, a situação tende a se agravar. Não somente pelas condições de pobreza que milhares de brasileiros vivem na atualidade, mas pela vinculação desse quadro a este que reúne incentivo à privatização sem atenção maior a uma série de critérios socioeconômicos e entendimento de que a Amazônia deverá permanecer em segundo plano quanto ao tratamento respeito das pessoas que nela vivem. A região ganha destaque em tempo de queimada, matança de indígenas e agricultores, torna-se tema de ataques e contra-ataques, e na oferta dos bens da Amazônia a setores madeireiros, mineradores, grupos que têm interesse na água doce, nos fármacos, nas essências e nos óleos.

O mapa dos “sem luz” na Amazônia fala alto aos governantes e à sociedade. Resta saber e acompanhar no que resultará o estudo e qual o manejo a ser dado para ele pelos órgãos governamentais. Não se trata apenas de fazer a luz chegar a essas famílias, e sim de tem um programa efetivo que complete todos os aspectos envolvidos nesse contexto.


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