Os sinais das águas e a necessidade de planejar

06/01/2022 às 10:58.
Atualizado em 13/03/2022 às 18:04

O Amazonas viveu, no ano passado, cheia histórica dos rios Negro e Solimões e, com ela, todos os problemas produzidos pela combinação de muita água e falta de planejamento das cidades. As famílias e micro, pequenos e médios produtores, agricultores familiares, a cadeia mobilizada pelo setor de serviços ainda estão contabilizando os prejuízos ao mesmo tempo que tentam levar a vida adiante. 

Os sinais do presente acendem o alerta para prestar atenção no monitoramento do movimento das águas e a tomada de providências em tempo hábil a fim de minimizar o impacto tanto do processo de enchente quanto da cheia. O que ficou comprovado no ano passado foi a tomada de decisão tardia e atabalhoada por parte dos governos.

A lentidão nas decisões e a falta de apreço à prevenção fizeram com que os estragos fossem maiores e o sofrimento de famílias ampliado. Os atos administrativos não obedeciam a um planejamento estratégico em nível federal/estadual/municipal que representassem a ação conjunta e mais ágil para socorrer as vítimas e criar uma mínima base de infraestrutura emergencial.

A confusão criada implicou em uma série de problemas tais como desperdício de dinheiro público, presença tardia do poder público nas áreas mais atingidas, prejuízos ampliados pela morosidade dos atos administrativos e milhares de pessoas em situação de desespero prolongada. Materiais utilizados para a construção de pontes, por exemplo, foram desperdiçados, não houve um programa para oferecer melhor destino a maioria das peças em madeira.

O governo estadual e os prefeitos estão hoje diante de uma realidade que pode se aproximar a de 2021 ou repeti-la. O que irão fazer com esses indicadores, como irão trabalhar um plano eficiente onde o suporte governamental chegue em tempo nas comunidades em situação de risco são perguntas a espera de resposta. Estas não são resolvidas em peças publicitárias e, se mantida a noção de que no momento do problema é que se dará algum encaminhamento, significa que a aposta é pelo pior e a observância das exigências no uso da verba pública não passa de farsa.   

Por ser ano eleitoral, 2022 exige dos responsáveis pela vigilância e controle nos gastos públicos mais atenção e maior empenho na fiscalização do destino do dinheiro utilizado em nome de ações de socorro público.   

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