Sexta-feira, 30 de Julho de 2021
Editorial

Outros planos por trás das máscaras


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12/06/2021 às 09:04

O componente financeiro-econômico-político prevalece sobre os outros entendimentos igualmente sérios e de efeitos devastadores à sociedade no enfrentamento da pandemia da Covid-19. Neste mês, no Brasil, o número de mortos e de pessoas doentes se mantêm em patamares elevados, embora com leve queda. Pelo menos 20 Estados enfrentam graves problemas para atender o expressivo volume de pacientes e alguns os enviam para outras cidades.

O Amazonas, primeiro palco dessa situação, ultrapassou a 13 mil mortes e aparece de novo na lista dos Estados com elevação dos casos de adoecimento, com presença maior de jovens. Até sexta-feira foram mais de 500 registros de doentes. É como se o drama vivido em Manaus nos meses de janeiro e fevereiro não tivesse efeito algum, não gerasse nos governantes, nos dirigentes das instituições e na sociedade conduta mais responsável e solidária a fim de criar espaços mais saudáveis de convivência social.

O sim à Copa América no Brasil é outra provocação da disposição escancarada no correr riscos e deixar que as vítimas desses riscos morram enquanto a bola rola e os negócios do futebol também. Um dos atos de acinte nesse cenário é o do presidente da República de limitar o uso da máscara. O presidente gasta tempo, dinheiro e energia para ter “parecer técnico” que reforce a conduta dele e de parte de sua equipe quanto ao abandono da máscara de proteção.

Poder-se-ia dizer que é “um absurdo” que o presidente de um país com aproximadamente 500 mil mortos pelo coronavirus 19 faça proposta dessa natureza. Não adianta apenas classificar tal comportamento, faz-se necessário ir além e em feição mais coletiva. Abandonar as máscaras é um dos itens utilizados nesse momento para desviar a atenção pública de outro foco importante, as implicações diretas do chefe do executivo e de parte de seus ministros na sequência da omissão e das ações para contemplar determinadas empresas e determinados negócios no tratamento da Covid-19. 

O fato é que tais condutas permanecem ocorrendo e afrontam, diariamente, a sociedade brasileira, principalmente as famílias e amigos dos cerca de meio milhão de mortos. O peso do braço econômico-financeiro-político é decisivo e está sendo utilizado com algum grau de competência para ‘segurar’ a fúria da multidão dos desassistidos, dos desesperados e dos vitimizados. A escolha está feita e o preço cobrado. 
 


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