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Editorial

Ouvir as ruas

10/04/2016 às 23:15
Show mani

A jornadas de 2013, quando o povo foi as ruas contra aumentos abusivos das tarifas de ônibus, parecem ter finalmente sido ouvidas pelos gestores municipais, os que concedem o serviço de transporte coletivo. Aqui tivemos, ontem, um exemplo quando o prefeito Arthur Neto ir contra o aumento da tarifa determinado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas, em decisão liminar do desembargador Ari Moutinho.

A liminar atende a pleito de dez das empresas operadoras do sistema de transporte coletivo de Manaus, representadas pelo Sindicato das Empresas de Transporte  Coletivo Urbano de Manaus (Sinetram). Elas alegam que têm custos elevados, precisam pagar empréstimos internacionais e o  órgão concedente não garante a devida infra-estrutura para garantir a equação econômico-financeira do sistema. Sem o reajuste, dizem que o sistema entrará em colapso e todos , perderão. O eminente magistrado concordou com os argumentos e autorizou liminarmente o reajuste de 12,37% sobre a tarifa básica, que hoje está em R$ 3,15, sendo que os R$ 0,15 é o subsidio pago pela prefeitura.

De sorte que agora temos uma decisão mandando reajustar, mas um poder concedente, no caso a Prefeitura de Manaus, disposta a bancar a manutenção da tarifa em R$ 3. Ao final e ao cabo é a Justiça que irá decidir quem tem razão nesta querela.

O usuário do sistema, por sua vez, espera que as partes envolvidas tenham suficiente sensatez de estabelecer um valor justo da tarifa, um valor que não pese no bolso e não seja extorsivo das finanças alheias. A esperança é esta!

De qualquer forma, o que realmente se quer é um sistema com tarifa justa e serviço de qualidade, o que não tem sido visto nos últimos anos. O usuário quer paradas seguras, com boa cobertura, ônibus no horário, limpos e confortáveis e por isso é capaz de pagar qualquer preço. O que não vale é pagar caro e não ter um serviço decente, com qualidade. Neste sentido, faz muito bem o prefeito, que certamente sabe que o sistema não está aprovado pela população, ao se insurgir contra o aumento determinado por liminar e buscar um outro caminho.