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Editorial

Pacote de Natal

22/12/2016 às 23:10
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Não deixa de ser positiva a tentativa do governo Michel Temer de aquecer a economia por meio de medidas que possam facilitar, por exemplo, a redução do endividamento das famílias brasileiras, que, neste ano de 2016, encerrou com o porcentual 56,6%. É o menor nível desde maio de 2012, mas o índice ainda assusta. Por conta disso, injetar na economia cerca de R$ 30 bilhões em 2017, por meio da liberação do FGTS para uma parte dos beneficiários do fundo está entre as alternativas que podem dar fôlego para um trimestre que diversos analistas avaliavam como “o pior” da crise que enfrentamos.

O saque total do Fundo por 10,2 milhões de trabalhadores deve ser usado, preferencialmente, para o pagamento de dívidas acumuladas, e podem facilitar, inclusive, que inadimplentes, com os nomes “pendurados” no Serasa voltem a ter crédito na praça. Por óbvio, a medida do governo não tem como objetivo apenas estimular a economia, mas, sobretudo, tentar frear a queda expressiva da popularidade do presidente Michel Temer, que sob as delações que atingem ele próprio e seus principais aliados, vê a credibilidade do governo descer ladeira abaixo. A economia é um forte trunfo para evitar a queda. Ainda no foco da retomada do crescimento, o governo tem a missão de consolidar a reforma trabalhista e a redução dos juros dos cartões de crédito pela metade. Na reforma da CLT, que tem 70 anos de existência, o objetivo é modernizá-la a ponto de agradar a empregadores e trabalhadores para desonerar compromissos que prejudicam  ambas as partes. E nesse ponto, ao menos uma central de trabalhadores apoia o projeto que está a caminho do Congresso Nacional.

Em relação à redução de juros dos cartões, trata-se de mais um boa tacada do governo Temer para desonerar o bolso do consumidor/cliente dessas operadoras. Os maiores juros do mundo, na faixa dos 450% ao ano, chegam a ser classificados de ‘absurdos’ por especialistas do mercado e para quem é obrigado a arcar com essa conta parcelada.

Portanto, a alta impopularidade do presidente da República está produzindo medidas de que o País precisa para sair da recessão severa em que vivemos e, para consolidar sua meta de ajuste fiscal, espera contar com o apoio de sua base no Congresso, e este apoio está também contemplado nas conversas das lideranças políticas com o chefe do Executivo. E a nós resta a expectativa de vir essas reformas sendo implementadas para atingirmos a verdadeira retomada do crescimento.