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Editorial

Para além das crises

16/06/2017 às 22:12 - Atualizado em 16/06/2017 às 22:15
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A crise política, que embala a crise econômica, segue ainda sem uma luz no fim do túnel da Nação e assim paralisando corpos e mentes de todos os que compõem o setor produtivo nacional. Isso não é pouca coisa após a mais longa recessão vivenciada pelo País desde que a riqueza nacional começou a ser medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em que pese este enorme problema, que a cada nova delação, a cada depoimento vazado ou uma decisão jurídica, as reformas propostas pelo governo do presidente Michel Temer seguem, aparentemente, avançando nos escaninhos do Poder Legislativo.

A base política montada com as velhas táticas hoje condenadas ao vivo e em cores pelos brasileiros seguem funcionando e o toma-lá, da-cá parece que vai favorecer a aprovação das tão necessárias reformas dos sistemas brasileiros. Talvez não sejam aprovadas as reformas ideais, mas as possíveis, aquelas que poderão sinalizar para o setor produtivo que o País pode voltar aos eixos e exibir sinais de vigor que, na década passada, assombraram o mundo.

Mas é preciso pensar o Brasil para além das crises que hora vivenciamos e, neste contexto, muito se fala numa nova Constituinte para refazer os pactos nacionais, seja o político seja o federativo, ambos em processo acelerado de combustão espontânea. A política precisa ser reinventada, com novas ideais, novos partidos e lideranças que sejam forçadas a se renovarem. Não é possível que um senador, um deputado federal fique por 40 anos em Brasília. Isso faz mal a ele, que deixa de vivenciar as agruras de seus representados, e aos eleitores, que se acostumam com a mesmice do representante. Tornar esse sistema retroalimentável, se assim podemos dizer, é uma das missões da nova política.

A Federação Brasileira também precisa ser revista, e a guerra fiscal entre Estados está ai para não nos deixar mentir. Essa busca fratricida por migalhas não leva ninguém a lugar algum e só serve para acirrar os ânimos entre irmãos. Uma nova base tributária seria um bom começo, com a redução no número de impostos e uma racionalidade tributária condizente com o tamanho da nossa economia.