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Editorial

Para que as mulheres vivam

25/11/2016 às 22:00
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Os números há muito tempo projetam uma realidade sangrenta, de violência extrema e banalização gigantesca. Os esforços para enfrentar essa realidade são construídos todos os dias, de baixo para cima numa correlação de forças profundamente desigual onde é possível perceber o largo apoio à cultura da violência multiplicada em um pensamento vasto que se espraia nos atos cotidianos. As mulheres no Brasil estão sendo mortas pelas reações de ciúme, porque são mulheres.

O País ostenta vergonhosamente um dos cinco primeiros lugares na classificação dos países que mais matam mulheres. No Amazonas, em Manaus, Barcelos ou nos demais 60 municípios a história de violência e morte se repete. As que estão vivas seguem atormentadas com sequelas para sempre. Uma cultura machista, ensinada, reproduzida e que se completa no exercício de eliminar todo dia a dignidade da pessoa mulher.

E os números como uma fatia da representação da realidade servem para que? Em muitas rodas de conversa de homens e de mulheres, as vítimas são desqualificadas sob a indicação de que procuraram por isso. Faz-se uma segunda condenação caso fujam da bula de recatadas e do lar. E nem essas escapam das violências que levam ao feminicídio. É para mudar essa realidade que milhares de mulheres e de homens realizam, no mês de novembro, em diferentes países do mundo, mobilizações diversas para chamar atenção das sociedades sobre esse drama e essa tragédia.

Os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher traduz um esforço que a cada ano alcança mais pessoas e mais setores todos unidos em uma pauta comum das muitas lutas: mudar esse mapa onde o sangue escorre; quebrar o silêncio; encorajar as mulheres a denunciarem as pressões, as agressões e as ameaças; ampliar a eficácia das medidas protetivas; trabalhar por uma outra linguagem e pela cultura de respeito; criar uma ampla corrente de apoio e solidariedade às mulheres além fronteiras.

As mulheres do Amazonas por meio de vários segmentos estão em campanha. Mobilizações virtuais, como fizeram pela primeira vez, as jornalistas, passeatas, faixas, cartazes, desfiles e fixação de cruzes para lembrar as que morreram e reafirmar que essas mortes não foram esquecidas. São motivação de luta para que as mulheres possam viver plenamente e nenhum direito seja delas retirados.