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Editorial

Paralisação de professores

20/03/2018 às 20:25
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A paralisação das atividades por professores da rede estadual de ensino reúne elementos importantes diretamente relacionados a melhoria das condições de trabalho da categoria e da qualidade da educação oferecida no Amazonas. Não deve e poder ser um movimento que alguns pretendam tornar refém dos interesses políticos eleitorais no jogo das disputas por cargos no Executivo e no Legislativo nas eleições deste ano.

São os professores os que devem avaliar e questionar condutas de seus representantes quando estas lhes soarem estranhas ou mesmo indevidas. Divididos em duas organizações criadas para representá-los, o Sindicato dos Professores e Pedagogos do Município de Manaus (Asprom-sindical) e o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Amazonas (Sinteam), os professores têm mais um problema que é o de se situar na luta pela qual decidiram iniciar a paralisação para além das disputas de poder na tentativa de controle da categoria.

Há motivos sérios e justos que tornam a paralisação um posicionamento necessário a fim de que os governos tanto do Amazonas quanto da cidade de Manaus estabeleçam parâmetros contínuos e transparentes na política educacional do Estado. Não pode oferecer bons resultados uma proposta de política pública de educação que é feita de acordo com o humor do gestor de plantão ou pelo exercício de submeter gestores de escolas e professores ao clima de medo de represálias. Por um longo tempo tem sido  essa a lógica e, para combatê-la, setores dessa que é uma das maiores categorias de trabalhadores do serviço público lutam, como fizeram no passado em condições mais precárias e igualmente violentas.

Os desvios feitos com recursos financeiros destinados às atividades educacionais, a situação das escolas, o distanciamento mantido entre essa área e as demais áreas afins como uma posição de política de gestão, os conglomerados de políticos e de  representantes de seus grupos que se instalam como prestadores de serviços compõem um quadro decadente e  indecente da política educacional. Apenas pequenos grupos se beneficiam dele enquanto a maioria de professores, estudantes, pedagogos, pessoal do administrativo e da limpeza sofre as consequências. Um Estado que não investe adequadamente na educação de sua população em idade escolar terá dificuldade de longo prazo para ser inserido nos patamares do desenvolvimento humano, cientifico e de inovação tecnológica. Tende a marcar passos, alguns como retrocesso.