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Editorial

Parlamento do Senado Federal está no escuro

11/07/2017 às 23:15
Show senado

Para o senador Jader Barbalho (PMDB/PA), o cenário que se viu ontem no Senado era uma “avacalhação” que comprometia a instituição parlamentar. Na verdade, o Parlamento já está comprometido desde que boa parte de seus membros apareceram em delações de empresários, e essa imagem,  de lá para cá, só vem se agravando, tendo como um dos pontos altos a ação conjunta para salvar a pele do senador Aécio Neves (PSDB/MG), flagrado pedindo propinas milionárias. O episódio de ontem foi apenas mais um passo do Senado Federal rumo ao abismo da falta total de credibilidade.

Com o  protesto da oposição, que agiu de forma infantil e pouco democrática ao ocupar a mesa e impedir que o presidente da Casa, senador Eunício Oliveira (PMDB/CE), assumisse seu lugar, o que seu viu foi um retrato distorcido do Senado. A oposição resolveu levar o termo “obstrução” ao pé da letra e Eunício decidiu apagar as luzes e desligar os microfones do plenário, deixando o Senado às escuras e sem voz. Em vez do debate baseado em argumentos, apenas silêncio e escuridão. É esta a qualidade dos nossos senadores, que diante de um tema tão importante como a mudança nas leis trabalhistas, agiram como crianças mimadas.

Não se discute aqui o mérito das mudanças propostas, mas a forma como o tema vem sendo conduzido. Um tema como esse, assim como qualquer matéria em discussão no Parlamento, deve ser tratado com máxima seriedade e sem interferências indevidas do Executivo.

O presidente Michel Temer tem especial interesse na aprovação dessa reforma para mostrar que ainda tem força política para permanecer no cargo que se esforçou tanto para conquistar – principalmente no momento em que luta pela sobrevivência política após o relatório na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara pedir a aceitação da denúncia formulada contra ele pela Procuradoria-Geral da República.

Para garantir a aprovação da reforma trabalhista – que vem recheada de mudanças polêmicas que demandam  debate sóbrio e profundo - , Temer não se importa em pressionar senadores de forma acintosa, tentando impor pela força algo que deveria ser resolvido com conversa, negociação e flexibilidade.

O Senado Federal não é um circo. Os senadores, embora, às vezes, pareça, não são palhaços; mas quando agem da forma que se viu ontem, fazem de palhaços a todos nós - cidadãos, eleitores que os elegeram para nos representar. Pelo bem do País, é preciso que instituições como o Senado Federal e a Câmara dos Deputados restaurem a compostura. O Brasil merece respeito.