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Editorial

Participação feminina

03/10/2016 às 22:43
Show thereziinha

A participação de mulheres no Parlamento Municipal acaba de encolher; de sete para quatro vereadoras. Segundo denunciam ativistas, as candidaturas femininas são formalizadas apenas para cumprir a cota de 30% exigida pela legislação. E a maioria dos partidos mal consegue alcançar a cota. Na campanha de fato, as candidatas não contam com estrutura e apoio dispensados aos homens, numa disputa desigual e desleal.  Pesquisa do DataSenado revela que o Brasil é um dos países com menor representatividade feminina em cargos eletivos. Segundo a mesma pesquisa, o sexo do candidato não interfere na decisão do eleitor. 79% afirmaram já ter votado em candidatas em eleições passadas. Então, como explicar a baixa representatividade das mulheres na política?

Falta de apoio dos próprios partidos é um dos motivos identificados no estudo. Isso foi constatado pela cientista social Socorro Prado. Ela afirma que as mulheres  não se sentem apoiadas nos partidos. Isso explica, em parte, a drástica redução no número de vereadoras na Câmara Municipal. Que consequências isso pode ter? Antes de mais nada, um desequilíbrio na própria representatividade do eleitorado manauara, que é formado, eu sua maioria (53%), por mulheres.  Ativistas sociais temem que menos mulheres no Parlamento também signifique um olhar míope sobre o público feminino e suas necessidades, o que pode colocar em risco a defesa de direitos e a construção de políticas públicas específicas.

Ainda que a propositura de leis direcionadas ao público feminino seja obrigação de todos os parlamentares, independentemente de sexo, é óbvio que são as mulheres as principais conhecedoras de suas próprias especificidades. O número menor de mulheres na Câmara também aumenta a responsabilidade das parlamentares que lograram a reeleição – Glória Carrate, Therezinha Ruiz e Professora Jacqueline – e de Joana D’Arc Cordeiro, eleita para seu primeiro mandato. A redução na CMM também é consequência  do processo que começa no partido. O problema é que, infelizmente, muitos partidos parecem não ter muito claro seu papel na sociedade, deixando ideologias e princípios em segundo plano, para dar prioridade às conveniências políticas de momento. Um cenário que pode ser atenuado com uma reforma política adequada, além de outros fatores mais complexos, como a própria conscientização política.