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Editorial

Passageiros clamam por segurança

13/06/2016 às 21:51
Show bus

Desprotegida e atemorizada. Assim se sente a população usuária de transporte público em Manaus quer dentro dos ônibus quer nas paradas. Uma parte porque tem sido vítima dos roubos e arrastões nesses dois espaços (dentro do ônibus ou na parada), outra numa reação em cadeia ao tomar conhecimento dos relatos feitos por vítimas ou amigos dos casos cada vez mais frequentes de ataques.

Sentir-se sozinho é a sensação mais relatada pelas pessoas. O estado de pânico está levando a tomada de posições arriscadas e, algumas delas, de caráter violento no esforço quase desesperado de impedir de qualquer forma que o ataque seja consumado. Os governos do Estado e da cidade, por meio dos órgãos de competência nessa área, precisam ampliar as ações de vigilância e controle nos pontos de ônibus e nos veículos para assegurar, aos passageiros, um mínimo de segurança e tranquilidade no ir e vir.

São milhares de pessoas, nos diferentes horários, submetidas a uma onda de violência e, depois, traumatizadas, têm que fazer os mesmos percursos para conseguirem alcançar o ponto do ônibus e seguir em viagem. A insegurança ganhou espaço maior diante das respostas lentas no combate a esses assaltos. Das ocorrências registradas, é possível montar um mapa das áreas mais vulneráveis, dos horários e tipo de ação feita. O problema exige posicionamentos governamentais mais eficientes e mais rápidos.

A ação dos governos municipal e estadual inclui a necessidade de revitalizar parcerias e corresponsabilidades. As empresas do setor e os sindicatos dos trabalhadores e patronal são fundamentais em qualquer tarefa que envolva ampliar e qualificar o sistema de proteção dos passageiros de ônibus. Motoristas e cobradores também têm sido vítimas dessa violência, alguns são mortos e outros sequelados. No geral, passageiros, motoristas e cobradores estão hoje envolvidos em uma atmosfera de medo e tensão que precisa ser enfrentada e superada. Não é aceitável manter na cidade um clima dessa ordem destruindo, a cada dia, milhares de pessoas usuárias de ônibus.

O sistema de transporte é pago e a qualidade do serviço prestado está longe de ser eficiente. Assegurar que os passageiros possam ocupar as paradas e fazer o percurso no ônibus dentro da normalidade é dever primeiro e esse, no todo, vem sendo deixado de lado.