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Editorial

Passageiros e motoristas acuados

26/02/2018 às 21:50 - Atualizado em 27/02/2018 às 06:07
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Mais de 28 assaltos a ônibus do sistema de transporte público entre janeiro e fevereiro. Novas paralisações de motoristas e cobradores estão marcadas para ocorrer esta semana para chamar a atenção das autoridades à situação de extrema vulnerabilidade em que as duas categorias e os passageiros estão vivendo em Manaus.

Mototaxistas engrossam os protestos. Pedem mais segurança e se declaram acuados por sucessivos assaltos. Para esses trabalhadores o efeito da insegurança público os atinge duplamente: são vítimas dos ataques armados no exercício de suas funções e confundidos com bandidos que têm nesse meio de transporte uma alternativa de fácil acesso a lugares e pessoas que por outros meios seriam mais complicados.

O medo crescente de parcela dos passageiros se justifica. Alguns já passaram por experiências amargas nas mãos dos assaltantes uma, duas, três vezes, outros saíram dessas experiências sequelados física e psicologicamente.

A maioria de motoristas, cobradores e passageiros se sente abandonada. As manifestações que estão ocorrendo e as marcadas para os próximos dias têm a finalidade de reforçar o posicionamento de setores da população sobre a urgência do desenvolvimento de ações que representem mais segurança aos que trabalhavam e aos que utilizam o transporte de ônibus, micro-ônibus e moto-táxi.

A mobilização é sinal positivo porque demonstra em alguma medida a vontade de alguns setores em se organizarem juntos e formar uma frente de enfrentamento à violência e à insegurança pública em Manaus. Essa atitude faz toda a diferença e indica que a batalha por outro padrão de convivência não estão perdida para aqueles que em bandos tentam tomar conta definitivamente da cidade e das pessoas que nela vivem. O poder público necessita dessa postura tanto na cobrança de combate à insegurança quanto na expressão da determinação de não aceitar viver dessa maneira, em permanente estado de medo e de temor.

A violência passou a ocupar todos os campos da vida em sociedade em larga escala e os instrumentos de combate não conseguiram até agora oferecer respostas mais eficientes. Entre os vários aspectos que contribuem para esse resultado precário está o envolvimento de servidores públicos das diferentes áreas nos esquemas que alimentam a corrupção e grupos que atuam à margem da lei.