Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
Editorial

Passageiros transtornados


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02/11/2019 às 09:08

Mais um assalto a ônibus na cidade de Manaus e com maior violência. A banalização com que vem sendo tratada a repetição desse drama vivido por motoristas, cobradores e passageiros chama atenção. Há um tipo de política de afastamento estratégico das autoridades em relação a tais ocorrências o que funciona, por vezes, como um sinal de aquiescência oficial.

Passageiros de ônibus sentem-se cada vez mais sozinhos e mais desprotegidos enquanto os registros dessa modalidade de assalto aumentam e, agora, com o uso de armas de fogo e espancamento e do espancamento ou coerção das vítimas. O governo e o legislativo parecem esperar por tragédias para que venham a público e se posicionem sobre o que e como fazer diante do quadro.

Os usuários do sistema de transporte coletivo alegam ter medo cada vez mais forte de tomar a condução e seguir viagem. Indicam situação de estresse agudo ao lidar com a possibilidade de serem as próximas vítimas e, muitos deles, sofrerem mais um assalto dentro do ônibus. O desespero presente nesses relatos não tem sido suficiente para alertar as autoridades e o setor empresarial de que medidas mais firmes e mais ágeis precisam ser tomadas. A sensação que parcela dos passageiros de ônibus alega experimentar é a de abandono e que eles próprios devem cuidar da segurança pessoal e familiar no uso desse meio de transporte.

Envolvidos aparentemente com outras prioridades, os representantes dos poderes na cidade de Manaus tornam mais larga a omissão naquilo que é dever de ofício, oferecer segurança às pessoas para que possam ir e vir. Neste caso, não se trata de regiões consideradas perigosas, como aquelas sem energia elétrica, com inúmeros becos e praticamente não saneadas. O perigo e a ameaça à vida estar dentro do ônibus. Se apresenta em qualquer horário, em diferentes linhas e zonas da cidade e com muita facilidade para portar revólveres.

O trauma provocado em centenas de passageiros se amplia e desestabiliza completamente a vida dos usuários de ônibus gerando outros problemas e mais sofrimento. Esse aspecto, o das vítimas de assaltos, não é considerado pelo Estado que até agora foi poupado de ações das pessoas em situação de transtorno. Afinal, quem é que se importa com essas vítimas?


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